A máquina do tempo ainda não foi inventada, mas quem é fã dos tradicionais sorvetes americanos consegue voltar para outras décadas. Não é nenhuma franquia lá dos Estados Unidos, mas um tipo de sorvete mais simples, que traz junto com a casquinha o gosto da infância e, às vezes, uma lasquinha do pedido anterior misturando os sabores. Em Curitiba, um senhor de 77 anos é considerado o especialista na máquina que tem a companhia das abelhas que dão expediente sobrevoando os jarros coloridos de morango, abacate, abacaxi, uva, milho verde e coco.

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A máquina de sorvete americano consiste basicamente de uma plataforma balcão, chamada de gabinete, as antigas com duas gavetas (uma para as casquinhas e outra para guardar o dinheiro), motor elétrico e condensador, além de uma torre que possui dois braços, uma para cada lado, onde são colocados de três a seis garrafas dispostas de ponta-cabeça que ficam com o suco preparado que irá se transformar no sorvete, em um processo que dura no máximo um minuto. Que por sinal atrai muito a atenção do cliente, que sempre fica de olho enquanto a casquinha é preparada.

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E todo sorveteiro tem suas ferramentas para trabalhar. Uma caneca está sempre presente para coletar o que sobra de massa entre um sorvete e o outro, que é cortado da máquina para ser entregue ao cliente geralmente com uma pequena pá de sorvete.

O especialista do sorvete americano

Aos 77 anos, Euclides é o especialista das máquinas de sorvete americano. Ele mora no Caiuá e conserta as máquinas do tempo dos sorvetes.
Aos 77 anos, Euclides é o especialista das máquinas de sorvete americano. Ele mora no Caiuá e conserta as máquinas do tempo dos sorvetes. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Um dos expoentes em Curitiba da máquina de sorvete mora no bairro Caiuá, e ganhou a fama de especialista. Euclides Riba Terlecki, 77 anos, natural de Rolândia, na região norte do Paraná, veio para a capital paranaense em busca de uma melhor condição de vida. Comprou uma máquina antiga em 1967, e logo percebeu que a aquisição acarretaria problemas.

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“A máquina era ruim e dava muito problema, fora que para pagar um mecânico na época era muito caro. Aí com a dificuldade, comecei a fuçar e decidi aprender sobre o mecanismo. Comecei a ganhar um dinheirinho e parei de gastar com o mecânico. Chegava em outros vendedores de sorvete e ficava observando o funcionamento da máquina. Percebia algo errado e oferecia meu serviço. Aí começou o boca a boca dos sorveteiros, que tinha na cidade uma pessoa que arrumava a máquina”, relembra Euclides.

A partir dessa propaganda na década de 1970, em que só o Euclides daria jeito na máquina, o trabalho de sorveteiro na Moreira Garcez e na Marechal Floriano ganhou reforço na manutenção e restauração. Acumulou serviço e, após 51 anos, segue sendo enorme procura para quem deseja comercializar sorvete.

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Além de arrumar e fazer a manutenção, produz do zero uma máquina nova, que geralmente custa em média R$ 13 mil. “É um trabalho artesanal para o corte do gabinete que dura um mês e com um projeto seguro. Tem a refrigeração, a parte elétrica e a mecânica envolvida. Vendemos em média de 10 a 15 por ano para vários lugares do Brasil”, disse Euclides, que tem o auxílio do Felipe Albano, 31 anos, sócio da empresa e que promete levar para o futuro o conhecimento da máquina.

“Tenho uma relação enorme com o sorvete, pois meu avô vendeu por 20 anos na Barão do Serro Azul. O meu pai vende sorvete e nesse tempo surgiu o convite de trabalhar com seu Euclides. Fiz curso de refrigeração e estou aqui há cinco anos. A gente fica muito feliz, pois ajudamos pessoas a ter renda, e o sentimento da criança ou mesmo do adulto é especial. É um gosto de nostalgia, e muitos falam que o sorvete americano nunca vai acabar”, comemora Felipe.

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Um dos novos clientes é o João Ribeiro da Rocha. Uma de suas máquinas deu defeito e ele teve que recorrer ao Euclides. “Comentei com minha esposa que agora estamos seguros. Procurei na internet um lugar para arrumar essa lâmina e estava difícil. Agora posso seguir com meu trabalho, pois a pandemia prejudicou demais a gente”, desabafou João que trabalha em São José dos Pinhais.

O segredo do sorvete americano

Ao lado de cada jarro de 2 litros, que pode render em média 25 sorvetes, as abelhas são colaboradoras diárias. Essa proximidade é considerada comum para quem trabalha diariamente com a máquina de sorvete americano. No entanto, alguns acidentes podem acontecer e não é raro o inseto morrer de “overdose” com o suco. “Já fui picado, mas a gente se acostuma com elas. Inclusive faço criação de abelhas sem ferrão. Isso nunca atrapalhou, o sorvete americano é da família, pois nunca saiu de moda”, confidenciou Euclides.

Os ingredientes são simples para se fazer um bom sorvete americano. É preciso ter a essência que vai dar a cor, açúcar, gelatina em pó e água. Diferente de outros modelos, o americano não usa leite e agrada quem tem rejeição à lactose.

"Muita gente tem problema com a lactose em outros sorvetes, e esse usa gelatina", disse Marcos, que vende sorvete americano no Mercadão da Praça Rui Barbosa.
“Muita gente tem problema com a lactose em outros sorvetes, e esse usa gelatina”, disse Marcos, que vende sorvete americano no Mercadão da Praça Rui Barbosa. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Marcos Lopes, 47 anos, é vendedor em uma das máquinas de sorvete no Mercado Central da Praça Rui Barbosa, em Curitiba (ver lista dos locais abaixo). Está no local há 30 anos e vende em média 300 sorvetes em um dia de calor. “ É a máquina da infância e da abelha, como as pessoas gostam de falar. Muita gente tem problema com a lactose em outros sorvetes, e esse usa gelatina. É pura saúde”, reforçou Marcos que comercializa a casquinha por R$ 2,50.

Naturalmente, o vendedor precisa ter jeito na hora de confeccionar a arte e o segredo vai estar em duas etapas: a força que se dá ao girar a manivela do suco e o movimento ao girar a casquinha.

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“É um sorvete da infância, pois vinha com a minha mãe para o Centro e aí ganhava o sorvete", disse Sérgio, apreciador do sorvete americano.
“É um sorvete da infância, pois vinha com a minha mãe para o Centro e aí ganhava o sorvete”, disse Sérgio, apreciador do sorvete americano. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Sergio Luís de Oliveira, 40 anos, é apreciador do sorvete americano e reforça a ideia da volta ao passado. “É um sorvete da infância, pois vinha com a minha mãe para o Centro e aí ganhava o sorvete. É uma recordação gostosa que tenho e tento passar para os mais jovens. É um sorvete barato e com gosto único”, complementou Oliveira.

Onde tem sorvete americano em Curitiba

  1. Sabor da Infância Sorvete – Pinhais

Santo & Elzi Lambaret
Nas quartas e sextas na Avenida Jacob Macanha – em frente a Andaraki Calçados
Quintas – Praça do Skate
Sábados – Avenida Iraí (frente a galeria Paris)
Domingo – Bosque Municipal de Pinhais

Instagram sabordainfanciasorvetes

2 – Sorveteiro João Albano

 Rua Cid Marcondes de Albuquerque, 2432- Bairro: Pinheirinho

3-  Luiz

Avenida Vereador Toaldo Túlio, 2930 loja 5 – Bairro São Braz

4- Pedro Mendes

Rua Anacã, 1065, Capela velha, Araucária

5-  Dina

 Rua Padre Ribeiro, 64,Centro, Rio Branco do Sul

6 – Bernadete

Rua Marechal Deodoro  Praça Matriz, Centro, Campo largo

7 – Carlos

Rua Barão do Cerro Azul, 38, Centro (próximo a Catedral na Praça Tiradentes, Curitiba 

8- Paulo

Rua Joinville 2817, São José dos Pinhais

9- Elaine

Rua Luiz França 1580, Bairro Cajuru, em Curitiba

10- Mercado Central na Praça Rui Barbosa – Centro, em Curitiba

3 máquinas de sorvete – Antônio, Madalena e do Marcos

11- Passeio público em Curitiba

Sorveteiro: Luiz

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