A morte de um estudante do Colégio Estadual Professora Edith, no bairro Ferraria, em Campo Largo, na última terça-feira (02), deixou pais e alunos da escola apavorados. A princípio, o boato que circulou foi de que o rapaz morreu por H1N1. Mas a o setor de Vigilância de Saúde da prefeitura local desmentiu o boato, informando que no único caso de H1N1 registrado no município, o paciente teve cura. E o caso deste estudante não foi H1N1.

O que deixou os pais e professores apavorados foi que, logo após a morte, vários estudantes do mesmo colégio ficaram gripados. Conforme a tia de uma aluna, que procurou a Tribuna, cinco jovens estariam com suspeita de H1N1, um deles internado. Mas o que deixou os pais mais insatisfeitos ainda foi que, mesmo com a possibilidade de um surto de H1N1 entre os alunos, as aulas estavam sendo mantidas pela direção. Com isso, os estudantes que não estavam indo à escola, com medo de serem contaminados, estavam levando falta e perdendo conteúdo importante.

Por conta disso, os pais e alunos estavam planejando fazer uma barreira em frente à escola sexta-feira (06), mas o protesto acabou sendo cancelado.

Não teve H1N1!

A secretária municipal de saúde, Chrystiane Pianaro Chemin, confirmou à reportagem que não houve morte por H1N1 em Campo Largo. Ela não divulgou qual foi a causa do óbito do estudante, porque o prontuário médico dos pacientes é sigiloso. Mas a Tribuna descobriu, com outra fonte da própria prefeitura, que a causa da morte do jovem foi uma infecção bacteriana após tratamento de pneumonia, o que corrobora com a afirmação da secretária de que não se tratou de H1N1. O rapaz estava internado no Hospital de Clínicas, em Curitiba. Uma amostra de sangue dele foi coletada e encaminhada para exame, que descartou a Influenza-A.

Depois do boato, uma equipe da Secretaria de Saúde de Campo Largo foi até a escola, na tarde desta quinta-feira (05), conversar com a direção e com os professores, para desmentir os boatos e mostrar a nota técnica do setor de Vigilância da Saúde. “Tem muita gente com gripe na escola. Mas não quer dizer que é H1N1”, explicou a secretária.

Na nota técnica, a Vigilância especifica que houve 20 notificações de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no município (nas quais se inclui o vírus H1N1). No entanto, apenas um caso foi confirmado como sendo da Influenza-A (H1N1) e a paciente se curou. Dois casos foram descartados para H1N1, em 8 casos contatou-se outros tipos de vírus de SRAG e 9 casos não tiveram os vírus especificados.

Secretaria Estadual

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) também confirmou que nenhum caso de H1N1 foi notificado ao Estado. Inclusive, no Boletim Epidemiológico de Influenza, divulgado semanalmente pela Sesa (o último foi publicado nesta quarta-feira), não há nenhum registro de óbito em Campo Largo pela doença.

A secretaria explicou que as síndromes respiratórias graves são de notificação obrigatória às autoridades de saúde. E quando a Sesa toma conhecimento de algum caso coleta amostras do paciente e encaminha ao Laboratório Central do Estado (Lacen), para confirmar qual é o tipo de vírus do paciente. O resultado do exame geralmente demora 20 dias para sair.

Vacinação

A secretária Chrystiane Chemin lamentou apenas que, apesar de Campo Largo estar na média do estado, a vacinação contra a gripe na cidade não atingiu todo o público esperado. “Houve uma baixa adesão de crianças e gestantes, que são grupos prioritários”, disse ela. Por conta disso, a vacinação foi prorrogada e as doses que sobraram foram abertas a todos os grupos da população. A vacinação, no entanto, já está encerrada.

A secretária também negou o boato de que o Tamiflu, medicamento usado no tratamento de vários tipos de gripe, inclusive a H1N1, teria acabado na cidade. “Não é verdade. Temos estoque normal do medicamento”, afirmou.

Padre fica uma ‘arara’ com bandidos após furto na Igreja dos Passarinhos