O suspeito de matar para roubar homossexuais em Curitiba, José Thiago Soroka, 32 anos, confirmou em depoimento à polícia que cometeu roubos anteriores aos homicídios investigados, mas que não houve vítimas fatais nesses casos. Ele foi ouvido pelo delegado Thiago Nóbrega, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de Curitiba (DHPP). Soroka foi preso no sábado (29), em uma pousada no Capão Raso. Ele é suspeito de matar dois homens em Curitiba e um em Santa Catarina.

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De acordo com o delegado, o suspeito assumiu a autoria dos três homicídios, mas a polícia ainda investiga se houve outros assassinatos. Ao portal G1 Paraná, a defesa de Soroka “disse que o suspeito vai apresentar a versão dele para que tudo seja esclarecido”. A polícia suspeita que possam haver de 10 a 20 vítimas de Soroka. Segundo a polícia, uma quarta vítima que escapou de morrer em Curitiba, no Bigorrilho, foi peça chave para a prisão de Soroka.

Em depoimento, o delegado o questiona sobre outros crimes em residências, mas Soroka se reserva ao direito de ficar em silêncio. Ele apenas confirma que havia outras vítimas de roubo, que eram homens, mas que não houve homicídio. As confirmações foram feitas em forma de resposta direta com “sim, senhor… não, senhor”.

De acordo com a polícia, os encontros com as vítimas eram marcados por aplicativos de relacionamento, onde Soroka tinha vários perfis, inclusive falsos. Ao entrar na casa dos homens, em determinado momento, ele pedia que eles tirassem a roupa e ficassem de costas. Era quando o suspeito aplicava um golpe de mata leão.

Segundo laudo psicológico divulgado pela polícia, o perfil de Soroka indica que os atos criminosos podem ser considerados de serial killer. O motivo são o modo de agir semelhante em todos os casos e a suspeita de que ele deixava uma “assinatura” na cena do crime. Soroka recolocava a roupa nas vítimas fatais e as deixava sobre a cama. Depois, ele saia da residência e trancava a porta por fora. Segundo o laudo, o ato final de trancar a porta servia como uma forma de recriminar o seu próprio ato.

A polícia também investiga a possibilidade de crime de ódio contra homossexuais. De acordo com o delegado Thiago Nóbrega, o suspeito demonstrou um certo constrangimento ao tratar da forma de escolha das vítimas.