A taxa de isolamento social em Curitiba das últimas semanas não atingiu o número considerado ideal por especialistas para evitar o avanço de casos ativos e mortes decorrentes da covid-19. Apesar de adotar medidas mais restritivas de funcionamento de serviços e consequentemente na circulação das pessoas, apenas no domingo (21), a taxa apresentou um número considerado positivo e chegou a 55 % de isolamento. O objetivo é ter um índice superior a 50% todos os dias. Nos dias úteis de 15 a 19 de março, a média ficou próxima dos 40%.

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Os dados são da empresa de tecnologia In Loco, que analisa o índice de isolamento a partir de informações da localização de celulares. O resultado é importante para definir linhas de atuação dos municípios que buscam frear a propagação da doença. No caso de Curitiba, a cidade está há duas semanas na bandeira vermelha que se estende, pelo menos, até o dia 28 de março. Segundo boletim desta quinta-feira, eram mais 1.135 novos casos de covid-19 e 32 mortes de moradores da cidade infectados pelo novo coronavírus.

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De acordo com In Loco, nos dias úteis de 15 a 19 de março, a média ficou próxima dos 40%, ou seja, 10% abaixo do esperado. No sábado (20), o isolamento em Curitiba bateu 45,2%; no domingo (21), chegou a 55%. Diego Spinoza dos Santos, epidemiologista da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (SMS), reforça que as taxas comprovam a dificuldade de se chegar ao número ideal, algo só alcançado na primeira semana da pandemia em 2020 quando teve uma média de 57%.

“O componente daquela época era o desconhecido. As pessoas estavam assustadas e colaborou para termos uma semana que consideramos até hoje um cenário perfeito. Bem diferente do começo deste ano, pois tivemos logo depois do Carnaval um índice de 30%, número praticamente igual do período sem a doença. Isto compromete demais o avanço do vírus, mas entendemos que é difícil manter o isolamento alto por tanto tempo com outras coisas envolvidas até pelo contexto que é o país ”, disse Diego.

Menos circulação, menos acidente 

A relação de isolamento social não serve apenas para diminuir a possibilidade de ser infectado pelo coronavírus. Saindo de casa, a pessoa tem maior probabilidade de sofrer um acidente e precisar de atendimento médico. Com os hospitais lotados, qualquer tipo de intervenção clínica que pode ser evitada é motivo de comemoração.  

Aliás, o número de acidentes de trânsito atendidos pelo Corpo de Bombeiros caiu 18,11% nos dez primeiros dias de vigência do decreto estadual (27 de fevereiro a 8 de março). O governador Ratinho Junior acredita que esta queda tem relação com a restrição da circulação de pessoas e da proibição de venda de bebidas alcoólicas a partir das 20 horas. “Essas medidas ajudam a evitar a circulação de pessoas na rua. Quanto menos gente, menos acidentes, o que automaticamente ajuda a não sobrecarregar nosso sistema de saúde”, afirmou Ratinho Junior.  

Região Metropolitana 

Uma preocupação recorrente das autoridades é a movimentação de pessoas que moram em cidades da região metropolitana e que se deslocam para trabalhar em Curitiba. Antes da pandemia, perto de 300 mil passageiros usavam o transporte coletivo, segundo dados da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). Após os primeiros casos da doença há um ano atrás, a média passou para 120 mil, mas não impediu que os ônibus permanecessem cheios em horários de pico nas semanas em que as medidas restritivas eram mais flexíveis.  

A Comec chegou a orientar aos usuários que a população buscasse horários alternativos no transporte público para evitar aglomerações. “Temos um grande desafio, que é o transporte coletivo. Na região metropolitana, 78% dos usuários utilizam o sistema nos horários de pico, entre 5h30 e 7h30 e entre 17h e 18h30. Fora destes horários os ônibus circulam muitas vezes vazios. Precisamos fazer com que as pessoas utilizem os ônibus nestes horários, que haja um equilíbrio”, relatou o diretor-presidente da Comec, Gilson Santos.