O taxista Márcio Antônio Alves, de 49 anos, está curado do novo coronavírus e deixou, no fim da tarde deste domingo (26), o Hospital do Trabalhador, unidade referência no tratamento da covid-19 em Curitiba. Márcio ficou internado 34 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e passou por enormes dificuldades clinicas durante este período.

A saída do taxista do Hospital do Trabalhador foi emocionante. Profissionais de saúde formaram uma longa fila no corredor para aplaudir o Alves. Bruna Alves, filha dele, também acompanhou o pai e não conseguiu segurar as lágrimas. No Bairro Alto, companheiros de direção de Márcio aguardaram a chegada para comemorar esta vitória com faixas e aplausos.

A notícia boa da recuperação de Márcio chega após o boletim mais recente de casos do coronavírus em Curitiba apontar a primeira morte de uma profissional de saúde vítima da doença.

O Drama

No dia 14 de março, Márcio começou a apresentar febre e dores no corpo. Três dias depois e sem apresentar melhora no quadro clínico, o taxista peregrinou em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Os médicos receitando medicamentos que pouco faziam efeito. A piora foi se acentuando até que, na madrugada do dia 22 de março, Márcio pediu socorro à filha, pois estava com falta de ar,um dos principais sintomas do novo coronavírus.

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“Na madrugada, ele ficou muito ruim e reclamava que não conseguia respirar. Fomos direto para a UPA em Pinhais e o médico segurou ele. Esperamos a abertura do leito no Hospital do Trabalhador e, desde então, ele não saiu mais. Foi entubado e somente no dia 27, foi confirmado que ele era um dos casos confirmados de coronavírus”, relatou Bruna.

Medo do telefone!

Apesar de estar também infectada, a filha não apresentou graves problemas de saúde e permaneceu em quarentena dentro de casa. A única forma de ter notícia do quadro clínico do pai foi por telefone. Os médicos ligavam todos os dias para Bruna, pois a ideia era mostrar transparência aos familiares a respeito dos processos que estão sendo utilizados, que vão desde a medicação até a forma como o parente está reagindo ao tratamento. Quando o telefone tocava, era um misto de sentimento, pois dali poderia vir uma notícia ruim ou boa. “Tive muito medo de atender algumas ligações. O pai estava passando por momentos muito difíceis e os médicos chegaram a dizer que o quadro estava muito complicado. A reza de todos ajudou demais e só tenho a agradecer’, desabafou Bruna.

Realmente a situação de Márcio foi preocupante e contou com o esforço da equipe de saúde e dos equipamentos do Hospital do Trabalhador, especialmente do ventilador mecânico, pois o pulmão ficou muito abalado com a ação do vírus. Na sequência, o rim chegou a ficar sobrecarregado e afetou também o coração. “O pai nem sabe que passou por tudo isto. Os médicos pensaram na possibilidade de passar por hemodiálise. Teve arritmia e foi preciso desfibrilar (aplicação de uma corrente elétrica com um desfibrilador). Posso dizer que aconteceu um milagre”, contou Bruna.