Um terreiro de Candomblé foi alvo de vandalismo e intolerância religiosa quarta-feira (1º), em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. A casa teve a fachada pichada com a frase “Deus é maior” e os vândalos ainda jogaram uma bíblia e uma garrafa pet com mensagens de ódio: “seu lugar é na a senzala, escravo do diabo”, “o sangue de Jesus tem poder”, “pecador, vai embora”, entre outras.

“Foi a primeira vez que isso acontece. Houve algo parecido, há uns 5, 6 anos, quando jogaram uma Bíblia, mas a gente achou que fosse adolescente e não demos muito assunto”, conta Fabiana Valentina da Silva, frequentadora e esposa do pai de santo regente da casa.

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Para Fabiana, a atitude foi muito agressiva e deixou a todos do terreiro preocupados. “A gente pensa, se hoje fizeram isso, o que pode acontecer amanhã? Como já aconteceu em outros estados, que depredam, quebram as coisas, não só em terreiros mas até da Igreja Católica”, desabafa.

Um boletim de ocorrência foi feito pela Polícia Militar e o caso é investigado. E pra Fabiana, ter feito o registro do vandalismo foi essencial. “Se a gente ficar quieto, se calar hoje, daqui a pouco estão agredindo a gente”, explica.

Terreiro em Colombo é alvo de preconceito e intolerância religiosa. Foto: colaboração.

Intolerância religiosa e racismo

Para o pai de santo regente da casa Jorge Kibanazambi, mesmo depois do susto, o trabalho religioso do terreiro não pode parar. “A gente não pode se deixar levar por esses tipos de ataques. Eu tenho uma concepção que não são as religiões, são alguns adeptos que não entendem o que foi passado. Alguns líderes ficam fazendo essa apologia negativa e gera esses problemas para a gente. Eu estou firme, bem determinado, vamos pintar de novo e seguir em frente”, revela o sacerdote.

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Os recados deixados dentro de uma garrafa pet demonstraram o nível de preconceito e intolerância. “Por mais que a gente não queira, a gente sente pelas colocações, a gente fica triste. A luta pela intolerância é de todos nós. A nossa luta não é contra as religiões, é contra os preconceituosos”, revela.

O pai de santo acredita que o vandalismo veio de um grupo pequeno, mas de extrema radicalidade. “Isso nunca aconteceu aqui. A tente tem que trabalhar isso agora para inibir outros”, explica o pai de santo.

As mensagens de intolerância, para o sacerdote, é uma atitude de provocação. “Alguns grupos querem isso, que a gente revide com a mesma violência, mas não vamos fazer isso. Eles querem um estopim, uma guerra que eles tanto clamam. Vai ser difícil entrar nisso, porque os orixás nos educam na cultura da paz”, finaliza.


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