Acesso bloqueado, fila de carros parados e, é claro, caminhões. Muitos caminhões impedindo o trânsito, às vezes nas horas de maior movimento. Assim tem sido a rotina nos estabelecimentos às margens da obra do viaduto na rua General Mario Tourinho entre os bairros Seminário, Batel e Campina do Siqueira, em Curitiba. Na região, onde antes o movimento era atribuído ao comércio, o que se vê é o transtorno do congestionamento afunilado e o malabarismo dos lojistas para evitar os prejuízos.

“Os caminhões chegam com material e ficam manobrando por vários minutos. Às vezes bloqueiam completamente o acesso à rua e a fila de carros que se forma chega a impedir a entrada de veículos no estacionamento da loja”, conta Jessica Guimarães, gerente de um comércio de produtos veterinários, logo na esquina da Mario Tourinho com a Avenida Nossa Senhora Aparecida, no bairro Seminário. Considerado um dos “sobreviventes“ da região, o estabelecimento resiste aos contratempos provocados pela obra, cuja entrega está quase dois anos atrasada.

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No ponto mais alto do cruzamento, antes cercado por restaurantes, papelaria, mercado e salão de beleza, o que se vê são portas fechadas e placas de “passo o ponto”. Uma região nobre, que hoje tem um dos metros quadrados mais caóticos de Curitiba.

Concebida para otimizar o fluxo de veículos na região, a obra da trincheira começou em 2018, com previsão de entrega para julho de 2019. A princípio o valor total do novo viaduto era estimado em R$12,4 milhões mas posteriormente, com a justificativa da falta de estruturas metálicas para o reforço da trincheira, a entrega da obra foi adiada para 2020 e o valor teve um acréscimo de R$ 900 mil. Entre interrupções e retomadas, a chegada da pandemia piorou a situação. Com a quarentena, segundo a prefeitura, o fornecimento de insumos para a conclusão da obra foi parcialmente interrompido assim como o andamento dos trabalhos devido ao isolamento social.

Prazos adiados e mais atrasos

Com a nova entrega prevista para o dia 10 de abril de 2021, não foi surpresa para os comerciantes da região quando na semana prometida, novo aviso da Prefeitura deu conta de que, mais uma vez, a obra atrasaria. O incômodo, que já faz parte da rotina, para muitos deles deixou há tempos de ser somente o trânsito.

Emerson Fernandes é gerente de uma loja de manutenção automotiva na região e conta que além da rampa de acesso à funilaria ter sido totalmente bloqueada por tapumes, a sujeira tem sido um problema na hora de entregar os carros para os clientes. “Aqui a gente teve que mudar a dinâmica de trabalho: terminou o serviço, lavou o carro, ligou pro cliente vir buscar. Se demorar mais de 20 minutos a poeira cobre o pátio e nós temos que lavar tudo de novo”, explica. Em outra ocasião, o problema foi ainda mais grave. “Na oficina aqui do lado o problema foi com piche. Eles estavam asfaltando a calçada e o piche acabou grudando nos carros, que foram retirados na base do arrasto”, conta.

Mais que os carros, as promessas que se arrastam provocam impacto na economia da região, gerando – cada vez mais – incerteza entre os comerciantes. A expectativa agora é de que o mês de maio dê fim à angústia. É o que prevê a Secretaria Municipal de Obras que, em nota enviada à Tribuna esclareceu que “o período em que vigorou em Curitiba a bandeira vermelha de combate à pandemia do novo coronavírus – lockdown – afetou o fornecimento de insumos necessários para o andamento da obra de construção da trincheira da Rua General Mário Tourinho. A entrega de concreto e aço, por exemplo, foi represada” e que por conta disso, “será preciso pelo menos mais 30 dias para que os serviços sejam concluídos”.