Ao regulamentar o funcionamento dos aplicativos de transporte individual – como Uber e Cabify – a prefeitura de Curitiba proibiu que veículos emplacados em outras cidades prestem esse tipo de serviço na cidade. Segundo a Uber, essa exigência deve encarecer a tarifa e diminuir o número de motoristas no aplicativo em 30%.

A empresa sustenta que chegou a essa conclusão após analisar dados de milhares de viagens em seus 18 meses de atuação na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Essa análise apontou que 30% dos motoristas da Uber que atuam em Curitiba não moram na cidade, mas sim nos municípios da região. Além disso, a Uber destaca que existe um perfil de motoristas que não estariam dispostos a mudar de endereço para continuar prestando o serviço.

“No Brasil, metade dos parceiros da Uber usam a plataforma menos de dez horas por semana. Em conversas com os especialistas da Uber no Paraná, parceiros com esse perfil já estão revelando sua preocupação com as regras propostas e dizem que não irão obrigar suas famílias a fazer uma mudança de cidade. Consequentemente, perderão a oportunidade que têm hoje de gerar renda”, diz o material divulgado pela empresa.

Com esta ponderação, a Uber afirma que a exigência do emplacamento na cidade não causará o incremento das receitas municipais pretendido pela prefeitura.

A empresa sustenta que a exigência do emplacamento em Curitiba geraria no máximo uma receita extra de cerca de R$ 1,7 milhão por ano para a prefeitura. Já com a permissão de veículos de outros municípios – considerando que a prefeitura passe a cobrar um preço público “justo e equilibrado – a arrecadação seria, nas contas da Uber, de R$ 2 milhões, cerca de 20% maior que no modelo exigido pela administração municipal.

Os principais efeitos para o usuário do transporte, segundo a empresa, seriam o aumento do preço das viagens em 20%, em média, e do tempo de espera em 30%.

“Precisamos de regulações modernas, que usem a tecnologia em benefício de todos. Não faz sentido tentar acomodar uma nova tecnologia em regras ultrapassadas, por isso não faz sentido essa restrição em Curitiba, sede de uma região metropolitana significativa”, disse, em nota, a Uber.

Motivação da prefeitura

No fim de julho, quando o decreto de regulamentação dos aplicativos de transporte foi publicado, o secretário de Finanças de Curitiba, Vitor Puppi, explicou a opção do município de exigir o emplacamento na cidade.

“Como as empresas utilizam espaço urbano, a via pública, é natural, pelo IPVA que a prefeitura recebe, que esses veículos sejam cadastrados em Curitiba. Cada veículo cadastrado em Curitiba reverte uma fatia do IPVA para o município de Curitiba, portanto, como o serviço é prestado dentro da cidade, é natural que essas placas sejam do município”, explicou.