Após dois anos, Curitiba volta a ser a única cidade do Brasil a ter um banco de multitecidos humanos para transplantes. A estrutura, incluindo acervo e maquinários que pertenciam à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), foi transferida ao Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), que há dois meses passou a captar tecidos de olhos, coração e ossos, além de agregar à unidade o banco de pele já existente, por ser referência nacional no tratamento de queimaduras.

O Banco de Multitecidos do HUEM funciona 24 horas e capta e processa tecidos humanos de todo o Paraná. No caso de válvulas cardíacas, é a única unidade do país a fazer esse tipo de procedimento, recebendo doações de todo o Brasil. Todo esse material é fornecido aos hospitais conforme a demanda da Central de Transplantes do estado.

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O diretor-geral do banco, o médico Leon Grupenmacher, explica que a vantagem de se agregar a captação de quatro tecidos humanos em uma só estrutura é permitir um processamento melhor do material coletado, bem como facilitar a abordagem à família da pessoa que faleceu, que passa a ser feita de uma única vez. “Normalmente, a família é abordada por diferentes grupos de coleta de tecidos. Por exemplo, ela pode ser abordada por um banco de olhos e doar as córneas, mas os outros órgãos também poderiam ser doados”, explica Grupenmacher.

No período em que o banco multecidos não funcionou, Curitiba ficou sem captação de tecidos oculares e ósseos. “A captação de córneas, por exemplo, ficou dois anos parada. Enquanto que só no mês passado o banco já fez 20 captações de córneas. Ou seja, foram 20 pessoas a menos na fila do transplante”, ilustra o diretor, lembrando que até então apenas os bancos de olhos de Cascavel e Maringá faziam esse procedimento. “Só esses dois bancos de olhos não davam conta da fila de córneas no Paraná”, completa Grupenmacher.

Já no caso de tecidos ósseos, os hospitais do Paraná precisavam solicitar material do Rio de Janeiro e de Marília, no interior de São Paulo, para fazer cirurgias.

Capacitação de médicos

Para que o banco de multitecidos consiga dar conta da demanda, o HUEM capacitou no fim de maio a primeira turma de médicos ciurgiões para retirar e processar os órgãos. Conforme explica o doutor Grupenmacher, são todos médicos voluntários que são capacitados a colher os tecidos nos próprios hospitais em que trabalham para serem enviados ao banco.

“Fazer a retirada e o processamento desses tecidos de maneira correta é fundamental para o resultado final do transplante”, enfatiza o diretor do banco do Evangélico Mackenzie.

Grupenmacher afirma que a demanda por tecidos humanos já é alta todo o Paraná. Quadro que está aumentando com a pandemia de coronavírus, já que determinados procedimentos cirúrgicos estão suspensos para garantir leitos, medicamentos e insumos para o tratamento de pacientes com Covid-19. “A previsão é de que haja aumento de transplantes após a pandemia. Por isso é importante ter esse material à disposição no banco de tecidos”, complementa.