Um ano depois da instalação da Unidade Paraná Seguro (UPS), no Jardim Ludovica, Tatuquara, a população não sentiu diferença na segurança e criminalidade continua a crescer. Na semana de lançamento do projeto, foram mobilizados 157 policiais militares e 27 guardas municipais para ocupar a região. Hoje, um policial fica fixo na sede da UPS. Nas ruas, há duas viaturas e quatro policiais fazendo patrulhamento, em tempo integral.

Um dos policiais militares que fazem plantão na UPS e que não será identificado constatou que, no começo, os moradores demonstravam se sentir mais seguros. “Mas os bandidos, com exceção dos dois primeiros meses, quando a presença da polícia foi mais ostensiva no bairro, não demonstraram muito temor, porque eles sabem da estrutura com a qual nós trabalhamos”, revelou. O total do efetivo chega a quase 30 PMs, mas quando há ocorrências nos bairros sob guarda daquela companhia da Polícia Militar: Tatuquara, Umbará, Caximba e Campo do Santana, é preciso redistribuir as equipes.

Inversão

A UPS foi criada para trabalhar com policiamento comunitário e aproximar os policiais da população. Porém, mesmo se ocorre algum crime na região, o policial de plantão explicou que a população precisa ligar no 190, porque só eles têm o controle de quantas viaturas estão disponíveis e quem poderá ser deslocado para atender a ocorrência. Na UPS, exatamente, nada pode ser feito nesse sentido.

Na opinião de um comerciante, que só este ano teve seu estabelecimento roubado três vezes e não quis se identificar, a estrutura montada pelo governo não tem validade alguma. “O policial fica lá sozinho, não tem como sair, e não há equipe de prontidão para atender as demandas da comunidade. O ideal seria dar uma viatura para este policial sair às ruas”, declarou.

Outros comerciantes e moradores ouvidos nos arredores da UPS compartilharam desta mesma ideia. A loja de conveniência de um posto de combustível, que fica na mesma rua da unidade, foi roubada sete vezes nesses doze meses, fora os pequenos furtos. Uma funcionária do local, que preferiu não revelar o nome, contou que três roubos ocorreram em apenas um mês e foram cometidos pelo mesmo rapaz. “A gente se sente insegura o tempo todo. Não se sabe a hora que vai chegar alguém armado dentro da loja, se vai sair viva daqui”, declarou.

Antony dos Santos, 27 anos, comerciante na região, conta que os roubos, tanto ao comércio quanto a transeuntes, trabalhadores em ponto de ônibus, é cada vez maior. “Eles vêm fazendo arrastão”, ressaltou.

Patrulhamento

Um grupo de moradores que esperava ônibus em frente à escola reclamou que o medo de ficar sozinho no ponto é constante, principalmente as mulheres. Eles disseram que a polícia até passa pelo bairro, mas que é preciso sair das viaturas, fazer mais abordagens, porque as irregularidades estão por todos os cantos. No período de uma hora e meia que a equipe de reportagem ficou no local foram vistas duas viaturas passando quatro vezes pela região.