O Ministério Público do Paraná (MP-PR) abriu inquérito civil para apurar possível irregularidade na aplicação de vacinas da Covid-19 nos funcionários da Unimed de Curitiba em maio. No total, 1.547 colaboradores da operadora receberam a vacina o que, para o MP-PR, não seguiria a ordem do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. A Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público cobra explicações da prefeitura e Unimed para apurar eventual ato de improbidade administrativa na imunização, com eventual prejuízo ao cofre público.

LEIA TAMBÉM

> Bandeira laranja será renovada? Curitiba define nova restrição nesta quarta-feira

> Com poucas doses em estoque, Curitiba direciona vacinação para professores

Ministério da Saúde chegou a pagar 10 vezes mais por vacina da Covaxin

O MP-PR defende que naquele momento somente profissionais da linha de frente da pandemia, que atuassem no atendimento de pacientes com coronavírus em hospitais, poderiam ser vacinados, além dos grupos prioritários da época. “Notadamente a gama de colaboradores da Unimed que podem ter sido vacinados pode abranger trabalhadores de setores muito distantes aos serviços emergenciais ou do próprio contágio da doença, como aqueles que atuam em setores burocráticos, financeiros, de credenciamento, setores contratuais do plano de saúde e trabalhadores em teletrabalho ou home office”, justifica o MP-PR em ofício encaminhado à prefeitura.

No começo de maio, comunicado interno da Unimed convocou todos colaboradores acima de 18 anos a irem se vacinar no pavilhão do Parque Barigui. O informe dizia que funcionários contratados efetivamente até 5 de abril teriam direito à imunização. Para isso, bastaria apresentar documento de identidade com foto, comprovante de residência e o crachá da Unimed no momento da vacinação.

Com a abertura do inquérito civil, o MP-PR solicitou que tanto a prefeitura como a Unimed forneçam mais documentos para seja feita a averiguação de irregularidade na liberação da vacinação.

A direção da Unimed Curitiba afirma que ainda não recebeu o ofício do Ministério Público sobre o inquérito civil. “Assim que receber, a Unimed Curitiba se manifestará no referido procedimento em tempo oportuno”, comunica a empresa em nota.

Já prefeitura encaminhou nota à reportagem afirmando que seguiu a ordem de vacinação definida nos Planos Nacional e Estadual de Imunização Contra a Covid-19. “Nos planos está prevista a vacinação de grupos prioritários, como o de trabalhadores dos serviços de saúde e colaboradores. A vacinação de trabalhadores de saúde da Cooperativa Unimed Curitiba foi uma conduta simétrica à adotada em outros estabelecimentos de saúde. Para exemplificar, somente do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, entre trabalhadores administrativos e de apoio, foram vacinadas 1.717 pessoas. Quanto à vacinação e colaboradores da Cooperativa Unimed Curitiba, esta se enquadra no conceito de serviço de saúde, assim como todas as demais operadoras de Curitiba”, diz a Secretaria Municipal de Saúde.