O homem que ameaçou, na segunda-feira (11), um passageiro ao ser questionado sobre o não uso de máscara no ônibus em Curitiba foi desligado da entidade que atuava como voluntário nesta terça-feira (12). A confusão aconteceu na linha Inter 2, quando o homem não gostou de ser lembrado de que deveria usar máscara, item de proteção obrigatório durante a pandemia do coronavírus, conforme decreto do governo do estado. As imagens da discussão foram registradas por uma passageira que também foi ameaçada pelo homem. O transporte coletivo, por sinal, é um ambiente de risco e que deixa passageiros com medo do contágio do coronavírus.

Essa não é a primeira confusão em Curitiba e região envolvendo pessoas que não querem usar máscara. O caso mais grave foi da funcionária de um supermercado em Araucária que morreu com um tiro após uma briga entre o segurança do estabelecimento e um cliente que se negou a ir às compras de máscara. Antes, outro cliente causou confusão em outro supermercado pelo mesmo motivo, causando dano ao estabelecimento com um vidro quebrado.

A confusão dentro do ônibus aconteceu quando o voluntário da Missão Resgate tentava vender carregadores de celular, atividade que é proibida pela Urbs, empresa municipal que gerencia o transporte coletivo da cidade. Rosilene Krzyzanovski, 39 anos, pediu para que o homem colocasse a máscara no rosto, pois a proteção estava no pescoço. A partir daí, uma série de xingamentos começou a ser direcionado para a mulher.

Na tentativa de defendê-la, outro passageiro, o recepcionista Hernane Cervi, de 26 anos, tentou acalmar o homem, mas virou a principal vítima das ofensas. “Eu fiquei brabo com a postura dele, mas consegui pedir com educação para que ele parasse de xingar e colocasse a máscara na posição correta. Ele ficou mais agressivo e gritava apontando o dedo. Foi algo muito ruim. Quando chegamos ao terminal do Campina do Siqueira, eu e moça procuramos a Guarda Municipal, que não estava no local, e aí falamos com o pessoal da Urbs”, explica Hernane.

Repercussão e medo

Após a confusão, as imagens foram divulgadas na internet e a repercussão foi intensa. Grande parte das pessoas apoiou a atitude dos passageiros, mas teve gente que criticou a ação de Hernane e Rosilene dentro do ônibus.

“Após a publicação da postagem por parte da Rosilene, muita gente entrou em contato. Alguns elogiando e dando parabéns e outros falando que estávamos prejudicando a reabilitação do homem. Quero sim que ele fique bem, mas não é certo o que ele fez. Poderia ter acontecido algo semelhante ao que ocorreu no supermercado em Araucária. Estou com medo que algo possa acontecer comigo e vou na delegacia fazer um boletim de ocorrência”, informou o recepcionista que lembrou do caso registrado no supermercado.

A reportagem da Tribuna do Paraná entrou em contato por telefone com a Missão Resgate. Fabio Quiles, orientador dos voluntários, confirmou o desligamento do homem envolvido com a discussão dentro do ônibus. Além disto, foi enviado para Rosilene, um pedido de desculpas e também reafirmando a saída deste voluntário. “ Ele estava conosco há seis meses e tem uma filha pequena. Fazemos um trabalho importante de socialização da pessoa com a comunidade e infelizmente isto aconteceu. Posso dizer que ele está arrependido”, disse o orientador.

Venda proibida

A URBS, reforça que de acordo com a regulamentação do transporte coletivo, é proibida a venda de produtos em ônibus, terminais e estações-tubo. A ação da fiscalização é orientativa, já que os fiscais não têm poder de polícia. Já a Guarda Municipal, informa que o usuário precisa entrar em contato pelo telefone 153 para relatar o acontecido e de preferência na hora que ocorre a situação, ou seja, dentro do próprio transporte.


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