Durante a sessão desta terça-feira (16) na Câmara dos Vereadores de Curitiba o vereador Éder Borges (PSD) roubou a cena ao atacar a ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (Psol), assassinada ao lado do motorista Anderson Gomes em 14 de março de 2018.

Em seus 4 minutos de fala, durante as justificativas de voto do projeto que autoriza o prefeito Rafael Greca a comprar vacinas contra a covid-19, Borges atacou também o Partido dos Trabalhadores e a companheira de vereança, Professora Josete (PT), por seus discursos contra o presidente Jair Bolsonaro.

“No início da sessão vi um requerimento que pretende dar o nome de Marielle Franco para um Centro de Educação Infantil. Marielle é a maior promotora de assassinato de crianças inocentes no ventre de suas mães”, provocou o vereador, que emendou. “O movimento feminista é promotor de genocídio”.

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A fala veio logo após Éder Borges criticar a vereadora Professora Josete sobre sua postura em relação ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “A professora Josete banaliza a palavra genocida”, disse. “O PT é um partido comunista e eles vem falando em pacto pela vida. O que eles entendem de vida? Um regime que matou mais de 100 milhões de pessoas de forma direta”, disse.

O vereador curitibano disse que Bolsonaro também comete erros. “O Bolsonaro deve, sim, ser criticado, como todos os políticos. Ele tem defeitos? Claro que tem e deve ser cobrado. Mas virem o disco. É a sessão inteira com esse papo de genocida, genocida, tudo é culpa do Bolsonaro. Vamos olhar para frente. Na semana passada, numa reunião da mesa diretora, para discutir coisas importantes, e a vereadora desviando o foco pra chamar o presidente de genocida”.

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Para encerrar sua justificativa de voto, que de justificativa não teve nada, Eder Borges cutucou mais o PT e defendeu o chamado tratamento precoce. “O PT é o maior grupo criminoso institucionalizado da história. Quantos hospitais deixaram de ser construídos e pessoas morreram por isso”.

E concluiu: “Volto a defender o tratamento precoce, que tem excelentes médicos que defendem. É questão de salvar vidas, dar liberdade às pessoas de fazer uso dos medicamentos. Conheço muitos que passaram por esse problema do vírus e foram salvos, sim, por esses medicamentos do tratamento precoce”.

Veja a fala completa do vereador:

Réplica

A “vez” da vereadora Professora Josete já tinha passado na ordem do dia, mas três vereadores se pronunciaram sobre a fala de Éder Borges. O mais polido foi o vereador Hernani (PSB). “Foi desviado o foco do debate e fica nessa de direita e esquerda. Estamos vivendo um caos na saúde por causa da covid-19 e vamos ao que interessa”, disse.

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Carol Dartora (PT), primeira vereadora negra eleita em Curitiba, lamentou o discurso do colega. “É muito difícil essas distorções feitas num discurso que ficamos estarrecidos. Não consigo enxergar demérito em assinar o pacto pela vida. Qual é o demérito nisso? Essa polarização do debate que é explícita quando se ouve esses vereadores é que vemos porque o país está da forma que está. Esse discurso não agrega em nada… me faltam palavras”.

Renato Freitas, também do PT, criticou os ataques contra Marielle. “Queria registrar o absurdo que foi dito pelo Éder Borges. A Marielle foi uma vereadora que nos honrou com sua luta. Sua memória é lembrada, sua luta contra a milícia e a morte e o que elas representam nas comunidades, o trafico, corrupção. Ela teve coragem de enfrentar, por isso é homenageada da França a Israel. Da Palestina à Bolívia. Infelizmente a cabeça de algumas pessoas incorre no erro de falar algo sem sentido”.