Foi aprovado por unanimidade nesta segunda-feira (12) a criação da campanha “Julho Azul”, em referência ao combate ao tráfico de pessoas. A proposição feita pelo vereador Tiago Ferro (PSDB) tem por objetivo incentivar empresas e órgãos públicos a realizar campanhas de esclarecimentos e outras ações educativas e preventivas, visando encorajar a sociedade a participar do enfrentamento ao tráfico de pessoas.

Mundialmente o dia 30 de julho marca o Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico Humano. No Paraná, apenas em 2017, foram registradas 151 denúncias relacionadas ao crime. o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP), vinculado à Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos revelou durante a discussão sobre o projeto na Câmara que a partir das denúncias foram identificadas 34 situações de exploração sexual, 1 de remoção de órgãos, 16 de trabalho análogo ao escravo, 96 de atividade criminosa e 4 de tráfico internacional.

“As vítimas são jovens entre 16 e 25 anos de idade. São pessoas simples, aliciadas com palavras sedutoras, que prometem um futuro melhor, mais qualidade de vida, mas depois percebem a mentira”, alertou Thiago Ferro, autor da iniciativa.

Para o vereador, a campanha Julho Azul é importante para evitar que se repita em Curitiba o que já acontece no cenário nacional: queda de 10% no número de denúncias associada a aumento dos casos em 8%. “Como é que aumenta o crime e caem as denúncias? Os aliciadores estão cada vez mais sofisticados em esconder o rastro do crime. Para fazer frente a isso, temos que promover esse debate e integrar atividades de conscientização”, disse.

A campanha “mãe” se chama Coração Azul, que é uma iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas).

Vários vereadores participaram da discussão do tema, tentando tornar a situação, que parece longe da realidade da maioria das pessoas, mais real. “Tráfico de pessoas parece coisa de cinema, mas não é”, disse Pier, que citou o filme Busca Implacável, em que duas jovens de férias em Paris são sequestradas por uma rede de prostituição.

Para fazer denúncias pode-se utilizar os telefone 180 e 100, do governo federal, que recebem, respectivamente, queixas de violência contra a mulher e de ofensa aos direitos humanos, e o Disque 181, do governo do Paraná, que também trata das denúncias de tráfico de pessoas.