“Sinto que a gente foi enganado porque eles colocaram uma bomba dentro de nossa casa de uma forma totalmente irresponsável ”, resumiu Raquel Lamb, 23 anos, uma das vítimas da explosão no fim de junho no bairro Água Verde, em Curitiba, durante a aplicação de um impermeabilizante de sofá. Ela e o marido, Gabriel Araújo, 29 anos, falaram pela primeira vez da ocorrência que vitimou o irmão dela, Mateus Lamb, de apenas 11 anos, em entrevista nesta sexta-feira (16) para o telejornal Boa Noite Paraná, da RPC.

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O casal reforçou o que afirmaram em depoimento à Polícia Civil, de que não recebeu nenhuma orientação durante a aplicação do produto altamente inflamável. “Não fazia ideia de como era perigoso. Tanto que ele [o aplicador Caio Santos, 30 anos] estava sem máscara, sem equipamento de segurança, só de camiseta”, recorda Gabriel. Raquel foi além. Disse que mal viu o aplicador. “Só vi o Caio de costas, quando passei para ir para a cozinha. Eu não sei nem reconhecer ele”, reforça. Raquel teve 55% do corpo queimado e ficou 40 dias no hospital. Gabriel teve 30% do corpo queimado e ficou 37 dias internado.

A ida de Raquel para a cozinha foi justamente para esquentar um copo de leite para Mateus, o que pode ter causado a explosão assim que o fogão foi aceso. Essa versão é apurada pela investigação da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam).

Na entrevista, o casal também lembrou da morte de Mateus e deu detalhes de como sobreviveram à explosão. Raquel e Gabriel afirmaram que eram muito apegados ao menino, que pediu para dormir na casa da irmã aquele dia. “O Mateus era tudo para mim. Eu vivia para ele”, lamenta Raquel. “Eu tinha carinho de irmão com ele. A dor de perder o Mateus não vai passar”, afirma Gabriel.

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Da ocorrência, Gabriel afirma que desmaiou assim que houve a explosão. “Acordei com o apartamento em chamas e dores fortes”, recorda. Já Raquel lembra de que foi lançada com o impacto da explosão. “A geladeira caiu em cima de mim. Gritei socorro e vi as chamas saindo pela janela da sala. Foi desesperador”, resume ela.

Na sequência, Raquel lembra do sargento Marcos Rogério Bezerra, bombeiro  vizinho ao prédio que foi até o apartamento prestar os primeiros socorros. “Eu gritava para ele que meu irmão estava no quarto. Ele disse que não tinha ninguém. Achei que meu irmão já tivesse saído. Aí ele me pegou no colo e desceu comigo por seis andares”, relata a proprietária do apartamento.

Com a força da explosão, a parede do quarto do menino se rompeu e ele foi lançado para fora do imóvel. Só depois de alguns dias de internamento no Hospital Evangélico Mackenzie é que Raquel que havia perdido o irmão. “ Eu passei os primeiros dias entubada na UTI. Depois que eu acordei tive várias alucinações, não sabia sobre o Mateus, não sabia nem o que pensar. A dor era muito forte. O Mateus sempre foi tudo pra mim, eu vivia e respirava por ele ”, relata sobre os 40 dias em que ficou internada.

Foto: Luiz Ferraz/Tribuna do Paraná
Foto: Arquivo/Luiz Ferraz/Tribuna do Paraná

Volta ao apartamento

Gabriel e Raquel não voltaram ao apartamento desde a explosão. Os dois afirmam que não pretendem mais morar no imóvel. “Eu não consigo nem passar na rua”, relata Raquel. “A gente estava vivendo um conto de fadas. Estávamos em um foguete alto e de repente tudo desabou”, relembra Gabriel sobre o imóvel. Poucos dias antes, o casal havia recebido a família justamente para comemorar a compra do sofá. “A gente estava comemorando uma conquista”, lembra ele.

O outro lado

Procurado pela reportagem, o advogado Roberto Brzezinski, que representam os proprietários da empresa de impermeabilização Impeseg, José Roberto Porto Correa e Bruna Formankuevisky, preferiu não comentar as declarações do casal e vai responder as acusações na Justiça. O advogado Leonardo Buchmann, que representa o aplicador Caio Santos, também preferiu não se manifestar sobre as declarações do casal.

Foto: Colaboração.
Foto: Colaboração.

O que esperam das investigações?

A Polícia Civil deve concluir na próxima semana o inquérito sobre a explosão no apartamento. Perícia da Polícia Científica sustenta que a falta de segurança durante a aplicação da solução impermeabilizante foi a causa da ocorrência.

As análises detectaram a presença de dois produtos voláteis e inflamáveis no apartamento – hexano e isopropanol -, que não envolviam o gás de cozinha. Para a perícia, o fato sustenta a conclusão de que explosão foi causada unicamente por conta do serviço de impermeabilização de sofá, feito sem os procedimentos de segurança.

Casal precisa de fraldas para os quíntuplos que estão a caminho na Grande Curitiba!