O iraquiano Hikmat Daoud Hanna, de 88 anos, que viralizou na Internet após ser fotografado no Largo da Ordem oferecendo aulas gratuitas de inglês, será homenageado pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) com um “Voto de Louvor” por seus serviços à comunidade.

“Seu Henrique”, como é conhecido pelos alunos, ficou famoso ao ser capturado pela fotógrafa curitibana Francielle Machoski, de 37 anos, que passava pelo Largo da Ordem quando viu o idoso com uma placa nas mãos. A imagem tomou a Internet e fez com que o “professor do Largo” conversasse com a Tribuna sobre sua história de vida, em março deste ano.

“Se eu guardar o meu talento, ele vai morrer comigo. Então, eu quero compartilhar o conhecimento e contribuir com a vida de alguém que não pode pagar”, explicou o professor à reportagem. Henrique, sempre que pode, também realiza trabalhos voluntários em igrejas e associações.

“Sem dúvida, o seu Henrique é um grande ser humano. Ele explica que se sente útil ajudando as pessoas e que sua verdadeira recompensa não é dinheiro: é saber que um aluno que não poderia pagar uma aula de inglês acabou aprendendo graças a ele. Esse nobre gesto de compartilhar conhecimento é digno de uma homenagem deste Poder Legislativo”, justifica o deputado Cobra Repórter (PSD), autor da proposição de homenagem ao Seu Henrique, que ainda não tem data para acontecer.

De Bagdá a Curitiba

Nascido em Bagdá, capital do Iraque, Henrique estudou Filosofia em Roma, na Itália, onde se formou e ficou por 20 anos. Em 1973, veio para São Paulo (SP), se naturalizou brasileiro e se casou. O apelido Henrique surgiu aqui, pela semelhança da pronúncia do seu nome árabe. Em 1990, já viúvo, chegou em Curitiba. Em 2006, se mudou para Salvador (BA). Ele só voltou para Curitiba na metade do ano passado.

Ao longo da vida, o iraquiano foi aprendeu diversos idiomas. Henrique fala nove línguas, entre elas árabe, inglês, italiano, português, francês, espanhol, aramaico, esperanto e latim. “Mas a minha fluência é no árabe, inglês, italiano e português”, explica. As profissões dele no Brasil foram as mais variadas. Já trabalhou como tradutor em embaixada e foi professor de inglês no Interior da Bahia. Na caminhada, passou por cinco continentes e mais de 30 cidades pelo mundo.

Encontro no Largo da Ordem

Ao dar atenção ao simpático idoso, a fotógrafa Francielle Machoski afirmou estar em um dia ruim. “Quando fico assim, gosto de sair e ativar meu olhar de fotógrafa. Era só um passeio, estava até sem câmera, mas, quando meu olhar cruzou com a imagem daquele senhor, senti que tinha algo diferente ali”, disse ela. “Em vez de me imaginar tirando mais uma foto no Largo, em composição com um idoso sentado, preferi conversar com ele. Fiquei muito emocionada com a história e com a força de vida que ele tem. Com o desejo de compartilhar conhecimento. Resolvi postar para ajudar a buscar alunos e, de alguma forma, devolver a ele o carinho que demonstrou ter com as pessoas”, completou a fotógrafa.

Aulas de inglês

A decisão de dar aulas gratuitas de inglês tem relação com um trecho do Evangelho que diz que os talentos devem ser compartilhados. “Se eu guardar o meu talento, ele vai morrer comigo. Então, eu quero compartilhar o conhecimento e contribuir com a vida de alguém que não pode pagar”, explicou o professor, que sempre que pode, ao longo da vida, fez trabalhos voluntários em igrejas e associações.

No início de março, quando a reportagem conversou com ele, Henrique começava a dar aulas para os primeiros alunos. Sem um espaço próprio para receber pupilos, o idoso se desloca até a casa dos interessados, sem cobrar nada. “Vou onde tiver que ir”, ressalta. Antes da história dele repercutir nas redes sociais, a única forma de se “matricular” para ter aulas com ele era indo até a Feirinha do Largo da Ordem, aos domingos, para encontrá-lo pessoalmente.

Mas com a ajuda da Francielle, que fotografou o “vovô poliglota”, Henrique agora tem conta no Instagram, com cerca de 12 mil seguidores, que pode auxiliar no contato com ele. “Farei o que eu puder para ajudar o Henrique, até para que ele consiga o próprio local para dar aulas. Ele é uma pessoa que faz a diferença para os outros. Fiquei emocionada com o nosso encontro. A história merece ser contada e divulgada”, conclui a fotógrafa.

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