Se na vida real fica mais difícil convencer quem está desconfiado da vacina contra a covid-19, no jogo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade de São Paulo (USP) é possível proteger a população da doença e eliminar o vírus. No Vacc, o desafio é aplicar as doses em situações difíceis, como aglomerações e divulgação de fake news.

O jogo ensina de maneira divertida a importância do processo de imunização, da imunidade de rebanho, variantes de vírus e os danos causados pelas notícias falsas e pelo não uso das máscaras. Para ganhar, é preciso vacinar todos e eliminar o vírus.

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O jogo é gratuito e já está disponível. O jogador usa o teclado e o mouse para mover a Maria Gotinha pelo cenário e aplicar as vacinas. A dificuldade aumenta a cada fase, conforme o isolamento social vai caindo e os personagens circulam pelas ruas, espalhando o vírus com mais velocidade.

É preciso imunizar as pessoas com duas doses, antes que sejam alcançadas pelos vírus e por elementos como as notícias falsas, que dificultam todo o processo. Se o coronavírus toca em uma pessoa não vacinada, ela desaparece e dá lugar a dois novos vírus.

O jogo apresenta diferentes variantes do vírus e algumas delas infectam até os vacinados. Mas, por outro lado, o jogador pode ter a ajuda da ciência, representada por um frasco de laboratório e por seringas com insumos de vacinas. Ao tocar nestes símbolos a Maria Gotinha ganha maior capacidade de vacinação. Para explicar o conceito de imunidade de rebanho, o jogo protege os personagens que estiverem perto de muitas pessoas imunizadas.

Por enquanto o jogo está disponível para computadores, mas em breve haverá versões para celular. Os desenvolvedores também trabalham na ideia de uma versão multijogadores.

Equipe

A criação foi por meio de uma parceria entre a Universidade Federal do Paraná e a Universidade de São Paulo. A idealização do projeto é do professor Helder Nakaya, do Departamento de Farmácia da USP, que contou com o apoio do professor Rodrigo Arantes Reis, coordenador do Laboratório Móvel de Educação Científica da UFPR Litoral. A programação foi realizada por Claudio Torres Júnior, aluno de Informática Biomédica na UFPR. O desenho dos elementos foi obra do designer Allan de Carvalho e o professor Murilo Geraldo, da Unicamp, criou as músicas.

O professor Rodrigo explica que o jogo é uma forma divertida de explicar conceitos sobre a vacinação e que o projeto é principalmente de divulgação científica. “O objetivo nosso ao criar o jogo foi poder falar da importância da vacina, a importância também de manter o isolamento social mesmo com as vacinas, o perigo das fakenews, a importância do uso de máscaras, que existem variantes virais que surgem naturalmente em epidemias e que elas podem, inclusive, escapar da imunidade das vacinas”, resume o professor Helder.

O Vacc tem apoio da Campanha Todos pelas Vacinas, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas do CNPQ, Sociedade Brasileira de Imunologia e do Núcleo de Pesquisas em Vacinas, da USP.

Digitalização das cadernetas

O Vaac também pede aos jogadores a doação de fotos de suas carteiras de vacinação. A iniciativa faz parte do projeto de pesquisa Levacc, do Ministério da Saúde, de digitalização das cadernetas dos brasileiros. “Isto vai ser importante para o governo saber quais populações e regiões são protegidas de doenças que são preveníveis por vacina”, finaliza o professor Helder.