Apesar da convicção firmada pelo relator, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), pela maioria dos membros da CPMI dos Correios e, de resto, pela comunhão nacional, o pedido de abertura dos processos de cassação do mandato dos deputados envolvidos na distribuição de dinheiro para os partidos da base governista deverá ter seu curso dificultado por infindáveis recursos regimentais invocados pela mesa da Câmara.

O dado mais esclarecedor da gravidade da apuração parcial feita pela CPMI, e da necessidade de punição imediata, é que a lista inclui os deputados José Dirceu e João Paulo Cunha, respectivamente ex-chefe da Casa Civil e ex-presidente da Câmara dos Deputados, tendo em vista seu envolvimento pessoal no malfadado esquema de corrupção.

Além deles aparecem na lista outros cinco parlamentares petistas e dois presidentes de partido: Roberto Jefferson (PTB) e Pedro Henri (PP). A primeira seleção de cassáveis tem, ainda, espaço para figuras de projeção no cenário do Congresso Nacional como José Borba (PMDB), José Janene (PP), Roberto Brant (PFL) e Carlos Rodrigues, ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual foi expulso por conduta incompatível com as normas da denominação.

A sociedade deve assumir severa vigilância para impedir que o corporativismo, instinto de preservação sempre usado para retardar a administração das penas, transforme a CPMI em tertúlia destinada a dar um safanão na quietude do Planalto Central.