Em matéria de dinheiro e desenvolvimento econômico, fatos e políticas praticadas no Brasil são cômicos, se não fossem trágicos. Tivemos o episódio dos dólares na cueca. Um assessor de um deputado nordestino, irmão de José Genoino, então presidente nacional do PT, foi detido num aeroporto de São Paulo usando a cueca recheada de dólares. Não se sabe se a especialidade do assessor era enriquecer cuecas com dólares ou usar cuecas especialmente fabricadas para transporte das verdinhas.

Depois, denunciou-se uma viagem de jatinho particular, que seria de propriedade do empresário Colnaghi, trazendo dólares de Cuba para a campanha do PT. Os dólares na cueca não foram negados nem poderiam ter sido, pois houve prisão em flagrante. No máximo, sonegados. Quanto aos dólares de Fidel, foram negados e não provados. E até se argumentou que não havia nenhuma ligação oficial, oficiosa ou política entre o governo brasileiro, o Ministério da Fazenda em particular e o PT com o referido dono do jatinho.

Agora surge uma nova testemunha. Ademirson Ariovaldo, secretário particular do ministro Antônio Palocci, da Fazenda, confirma as relações entre a turma lá de cima e o empresário Colnaghi. De certa feita, Palocci e José Genoino viajaram em seu jatinho para a cerimônia de ingresso do prefeito de Ribeirão Preto, Gilberto Maggioni, no PT. A dúvida está no fato de que essa viagem ora foi negada, ora negado foi o seu patrocínio. Palocci jurou de pés juntos que se tratava de um deslocamento por conta do PT. Mas seu assessor, Ademirson Ariovaldo, e provas técnicas colhidas pela CPI dos Bingos mostram que ocorreram muitos telefonemas entre o ministro e Colnaghi. Colnaghi desmente seus passageiros, dizendo que não alugou nenhum jatinho para o PT. O telefone de Colnaghi está em nome da Presidência da República.

Ficam fundadas dúvidas sobre quem encomendou o jatinho e tudo leva a crer que não foi o PT. Se não foi, rolam suspeitas para o lado do governo. E reforçam-se as desconfianças de que dólares podem ter vindo a jato de Cuba.

Tais fatos, relevada a gravidade do que possam estar indicando em matéria de escândalos e promiscuidade entre particulares e o governo ou o governo com o PT, reforçam a convicção de que, em matéria de dinheiro e desenvolvimento econômico a turma lá de cima não entende muita coisa. Ou se desentende, fazendo com que o Brasil colha safras frustradas ou enormes, mas para particulares e contrárias ao interesse do povo. Os resultados dos lucros do sistema financeiro no ano passado foi maior do que os banqueiros conseguiram em oito anos de governo FHC. Uma estatística no mínimo constrangedora para um governo de esquerda e popular, pois é certo que os lucros bancários nos píncaros da glória são fruto das altíssimas taxas de juros praticadas, tendo como patamar os juros básicos ditados pelo Banco Central. Tudo para pagar os credores, principalmente os estrangeiros, e elevar nos ?rankings? de risco a posição do Brasil.

Agora, Lula manda aplicar rédeas curtas à equipe econômica. Por quê? É que a política econômica ?mão de vaca? satisfez o sistema financeiro, os credores do Brasil, mas não sobrou dinheiro para o desenvolvimento nacional. Resultado: o nosso Produto Interno Bruto cresceu ridículos 2,3%, menos do que o próprio crescimento da nossa população e de suas necessidades. Nas Américas, só teve um resultado pior: o do Haiti, coincidentemente o país onde o Brasil mantém um contigente militar para garantir a paz.

É o espetáculo do encolhimento econômico.