São Paulo (AE) – Os dados de emprego, divulgados hoje (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), voltaram a frustrar o mercado financeiro. Pelo segundo mês consecutivo, analistas consultados pela Agência Estado previam um recuo da taxa de desemprego, mas houve um aumento em setembro, de 9,4% para 9,6%, e a manutenção deste nível em outubro em relação à População Economicamente Ativa (PEA).

"O resumo da história é o de que os dados de emprego estão aquém do esperado, até pelo ritmo de crescimento que apresentou no início do ano", disse o economista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Adauto Lima. Ele afirmou que contava com uma redução da taxa para 9,4%, mas foi surpreendido pela criação de empregos não tão forte quanto a esperada. Para Lima, esta diminuição pode ser reflexo do desaquecimento da economia, já mostrado por outros indicadores, como o da produção industrial, por exemplo, do próprio IBGE.

O economista do WestLB chamou a atenção para os dados de rendimento também apresentados pelo Instituto hoje. De acordo com ele, apesar da massa salarial – que reflete o aumento de salários e do números de vagas – ter crescido até outubro 4,8% ante uma expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 3%, o rendimento médio vem crescendo em uma velocidade mais baixa, de 1,62% até outubro deste ano. "Se pensarmos que a economia está se expandindo mais, não é um bom aumento da renda" afirmou.

O economista da Itaú Corretora, Alexandre Cancherini, também se disse surpreso com o resultado do nível de emprego. "Não foi o que esperávamos", afirmou. Sua projeção para outubro era de uma redução da taxa para 9,4%.

Sua avaliação, no entanto, é a de que o dado não deve ser lido como negativo porque houve um aumento do número de vagas, mas também da População Economicamente Ativa (PEA). "Isto é normal para a época e o dado não foi tão ruim quanto pareceu inicialmente", disse, referindo-se à proximidade do final do ano quando novos empregos são criados em função das festas de Natal e Ano-novo.

Cancherini afirmou que mantém sua estimativa de que a taxa de desemprego chegará ao fim de dezembro abaixo de 9,00%. "Continuamos a acreditar que este mercado vai melhorar", explicou. Segundo ele, a redução do rendimento em outubro já era esperada em razão do repique de inflação apresentado por diferentes indicadores.