Os endereços de policiais, seus telefones sigilosos e números de CPF são alguns dos dados cadastrais que estão sendo novamente vendidos no centro de São Paulo. A polícia apreendeu ontem dois CDs, um deles com o cadastro da Telefônica e outro, supostamente da Receita Federal, sendo vendidos na Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. O adolescente que ia entregar a encomenda em troca de R$ 200 foi detido

"Eles podem vender esses dados para criminosos", disse a delegada Elizabete Ferreira Sato. A maior preocupação da polícia é que esses dados caiam nas mãos do Primeiro Comando da Capital (PCC). "Eles podem levantar o endereço da casa de qualquer policial para matá-lo", afirmou a policial, titular do 78º Distrito Policial.

A apreensão dos CDs ocorreu depois de 60 dias de investigações. A delegacia investigava a venda de CDs piratas na região da Avenida Paulista quando soube que um homem estava oferecendo os cadastros da empresa de telefonia e do Fisco.

O primeiro custaria R$ 50 e o segundo, de R$ 150 a R$ 300. "Os bandidos podem ainda usar esses dados para aplicar o golpe do seqüestro pelo telefone", disse a delegada.

Ela está se referindo ao esquema conhecido como telemarketing do crime. Nele, um bandido, geralmente preso, usa um telefone celular para dizer que seqüestrou um parente da pessoa para quem ele ligou. O criminoso diz saber onde a vítima mora e fornece os nomes de seus filhos ou cônjuge. Exige então que a vítima compre créditos em telefone celular pré-pago e lhe passe os códigos ou faça um depósito na conta bancária de um laranja da quadrilha.