Em meio à sarabanda de chicanas que transformaram o Senado da República numa fonte de descrédito e escárnio aos olhos da população, tal é a multiplicidade de atalhos percorridos para a salvaguarda do presidente da Casa, Renan Calheiros, que agora tem como companheiro de desdita o incômodo Joaquim Roriz, a sociedade observa com admiração reverente a gesta travada por dom Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra (BA), contra a transposição das águas do São Francisco.

É forçoso lembrar a luta absurdamente desigual entre o pequeno Davi e o gigante filisteu Golias. O religioso arregimentou 70 apoiadores de sua causa – pescadores, indígenas da etnia truká, sem terra e ambientalistas – para uma manifestação em Cabrobó, no sertão de Pernambuco, onde já se encontravam umas 1,5 mil pessoas contrárias ao projeto.

Há dois anos o bispo fez uma greve de fome contra a transposição, levando o governo a adiar o início das obras, agora autorizadas pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

O local da manifestação foi escolhido porque os militares começaram a fazer escavações, que a incrível brigada de Brancaleone comandada pelo intimorato bispo ribeirinho pretende impedir.

Os governadores nordestinos Eduardo Campos (PE), Cid Gomes (CE), Wilma Faria (RN) e Cássio Cunha Lima (PB) resolveram formar uma frente de apoio à intenção governamental. É a reza do lado mais forte…