A grande quantidade de recursos judiciais, a falta de organização e de comunicação entre os tribunais são as principais causas da morosidade da justiça brasileira, na opinião do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nélson Jobim. Em 2003, a cada 100 processos, 60 levaram mais de um ano para ser julgados. O dado consta de um documento apresentado hoje (12) durante o seminário "A Justiça em Números ? Indicadores Estatísticos do Poder Judiciário Brasileiro".

O presidente do STF apresentou uma radiografia da Justiça no país, mostrando que, em 2003, a taxa anual de congestionamento do poder judiciário foi de 59,26%, ou seja, apenas quatro a cada 10 foram julgados em um ano. Para Jobim, isso não significa falta de competência dos magistrados, mas problemas processuais e de gestão.

"Se colocássemos o Ayrton Senna no centro de São Paulo se dirigindo ao aeroporto de Congonhas às 6 horas da tarde, não adiantava ele estar na direção, porque as coisas não andavam", comparou Nélson Jobim.

Segundo ele, a população vai começar a sentir mudanças no judiciário brasileiro a partir do momento em que esse sistema de avaliação se tornar on-line e permanente. "Vamos ter condições de começar a ter uma resposta não antes de quatro, cinco anos. A partir do quinto ano vamos começar a ter resultados dessas operações."