Nesta terça-feira, 24,6 milhões de deficientes têm o Dia Nacional de Luta de Pessoas Portadoras de Deficiência. Para Teresa Amaral, superintendente do Instituto Brasileiro de Defesa de Pessoas Portadoras de Deficiência (IBDD), essa parcela da população continua sem ter muitos motivos para comemorar, principalmente no que se refere a dificuldades como a falta de acesso ao ensino e a transportes públicos, a reduzida oferta de vagas no mercado de trabalho e a discriminação.

?Somos nós que precisamos desatar?, afirma. ?Sabemos a dificuldade que eles têm para pegar um ônibus, freqüentar uma escola, conseguir um emprego, coisas que, se para os brasileiros em geral já é difícil, para o deficiente é quase impossível?, observa.

Ela diz que a legislação brasileira de proteção ao portador de deficiência é uma das mais avançadas do mundo. No entanto, segundo a superintendente, um dos grandes desafios é tirar a lei do papel para garantir melhor qualidade de vida e inclusão social a cerca de 24,6 milhões de pessoas. Segundo dados do Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse é o número de brasileiros com algum tipo de deficiência ou incapacidade, o que representa quase 14,5% da população do país. A maior proporção se encontra no Nordeste (16,8%) e a menor, no Sudeste (13,1%).

Além disso, a questão da deficiência atinge, indiretamente, 73,8 milhões de pessoas, o que representa 43,44% da total de brasileiros brasileira. São parentes e amigos que se dedicam a ajudar os portadores de deficiência nas atividades do dia a dia. Esse percentual não engloba o número de os profissionais que atuam no atendimento dessa parcela da população. A superintendente do IBDD destaca que colocar a legislação em prática significa proporcionar melhor qualidade de vida não somente para as pessoas portadoras de deficiência física, mas também para aquelas que prestam algum tipo de auxílio a elas.

Em relação ao ensino, Teresa Amaral ressalta que uma das maiores dificuldades é implantar, de fato, o conceito de educação inclusiva, por meio do qual os portadores de deficiência freqüentam aulas em escolas comuns, o que permite a integração com os demais alunos. E, de acordo com cada necessidade, a instituição lhes fornece ainda acompanhamento específico. ?Hoje a gente sabe que a escola deve ser prioritariamente inclusiva, embora seja uma opção da família decidir se quer colocar o filho numa escola especial ou numa comum. Mas o que não pode é o que está acontecendo hoje, quando a escola se diz inclusiva, recebe o deficiente e deixa ele num canto?, critica. De acordo com ela, para que esse tipo de problema não ocorra é preciso que as escolas recebam apoio metodológico voltado para o atendimento de portadores de deficiência.

Teresa também destaca que, muitas vezes, a ?exclusão na escola? acaba abrindo espaço para a falta de profissionalização, o reduz ainda mais as chances de colocação no mercado de trabalho. A coordenadora de Reabilitação da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Maria Regina da Silva diz que, no caso dos deficientes visuais, as oportunidades de trabalho estão entre as maiores demandas. ?A maioria das pessoas com deficiência visual geralmente têm baixa escolaridade, a, além disso, existe a questão da falta de capacitação profissional. Isso faz com que a questão do trabalho seja mais difícil. Muitas vezes a pessoa é independente, tem sua autonomia, mas esbarra na dificuldade de ter acesso a um trabalho?.