Descrente da possibilidade de avanço das negociações no governo federal sobre a adoção de uma meta de déficit nominal zero, o ex-ministro Delfim Netto desistiu de propor a medida. Ele disse acreditar que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, trabalhará para que o superávit primário no fim deste ano e de 2006 fique em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta oficial de superávit primário é de 4,25%.

De janeiro a agosto deste ano, o Banco Central informa que o superávit primário acumulado foi de R$ 78,931 bilhões (6 26% do PIB). Em 12 meses até agosto, foi de R$ 96,316 bi (5 1%).

"O superávit está em torno de 6%. Se o presidente Lula anunciasse que a meta seria de 5%, o efeito no mercado seria devastador", disse Delfim Netto, que lançou a discussão sobre a necessidade de alterar a política fiscal com um choque de eficiência nos gastos públicos, o que permitiria estabelecer um cronograma para zerar o déficit nominal do governo. A proposta foi congelada por causa do agravamento da crise política.

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que não vê possibilidade da adoção de metas de déficit zero no curto prazo, principalmente se forem incluídas na Constituição, como sugeriu Delfim. "Tudo o que vier no sentido de choque de gestão é bem-vindo", disse, mas ponderou que a aprovação de uma reforma política é preliminar, para que mude a mentalidade administrativa.