Brasília – Menos de um mês depois de prestar depoimento na CPI dos Correios, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares voltará a ser ouvido amanhã (18). Desta vez, terá de dar explicações na CPI do Mensalão. A expectativa é que, enfim, o ex-dono do cofre petista revele pontos considerados chaves para o avanço das investigações.

Os integrantes da comissão esperam que Delúbio esclareça, por exemplo, a participação do ex-ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), no esquema do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Os parlamentares da CPI do Mensalão também querem ouvir do ex-tesoureiro do PT explicações sobre a ida de Marcos Valério a Lisboa, na condição de representante do partido e com o objetivo de tentar obter cerca de R$ 24 milhões da Portugal Telecom.

"Desde que ele (Delúbio) depôs pela primeira vez, muita coisa mudou. Novas revelações foram feitas e seria fundamental que ele pudesse dar nome aos bois", afirmou o relator da CPI do Mensalão deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), que se manteve na relatoria apesar de ter o seu nome e de seu filho, Paulo Abi-Ackel, na lista de pagamento da SMP&B com R$ 100 mil e R$ 40 mil, na campanha de 1998.

Os integrantes da CPI do Mensalão estão convencidos que o ex-tesoureiro petista não atuava sozinho e que as operações em conjunto com o empresário Marcos Valério tinham o conhecimento de outros representantes do PT. "O Delúbio precisa explicar que amizade era essa (com Valério)", disse Ackel. Na versão do empresário, ele emprestou R$ 55 milhões ao PT "em confiança" a Delúbio Soares.

Outro esclarecimento que os parlamentares esperam que o ex-tesoureiro do PT faça hoje é em relação à versão do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que PT e PL firmaram acordo de R$ 10 milhões na campanha presidencial de 2002.

A negociação, segundo Costa Neto – primeiro deputado a renunciar ao mandato desde as denúncias do suposto pagamento de mesada a parlamentares -, teria sido realizada no apartamento do ex-líder do PT na Câmara, deputado Paulo Rocha (PA), na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente José Alencar (PL-MG).

Integrante da CPI do Mensalão, o deputado Moroni Torgan (PFL-CE) também espera que Delúbio Soares dê explicações à respeito das operações mantidas por Duda Mendonça, marqueteiro do PT, no exterior.

Em depoimento na semana passada na CPI dos Correios, o publicitário admitiu ter recebido R$ 11,4 milhões do esquema de Marcos Valério para as campanhas que fez para o PT, incluindo a do presidente Lula. Ainda segundo Duda, R$ 10 milhões foram depositados Dusseldorf, no Bank Boston, nas Bahamas, paraíso fiscal do Caribe.

Delúbio Soares pediu afastamento do cargo de tesoureiro do PT no dia 6 de julho. Dois dias depois, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) admitindo que Marcos Valério atuou como intermediário nas relações do PT com empresários. Até agora, Delúbio Soares vêm sustentando a versão do caixa 2 da campanha, que ele insiste em chamar de "recursos não contabilizados".

O ex-tesoureiro do PT nega com veemência a existência do mensalão, denunciado pelo presidente-licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ) no início de junho.