A denúncia da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara sobre o tráfico de armas de que militares argentinos têm vendido armamentos a narcotraficantes do Rio e de São Paulo deixou indignadas autoridades militares do país. O caso já mobilizou o Ministério da Defesa e a Embaixada da Argentina, que esperam há dias que a CPI aponte os nomes dos supostos envolvidos.

Na semana passada, o deputado Moroni Torgan (PFL), presidente da CPI, disse que altos oficiais do Exército argentino estariam envolvidos com a venda. No início desta semana, durante uma reunião com o embaixador argentino em Brasília, Juan Pablo Lohlé integrantes da CPI afirmaram que eram seis oficiais. Mas não apresentaram provas.

A denúncia fez a ministra da Defesa, Nilda Garré, convocar às pressas o chefe do Estado-Maior do Exército, general Roberto Bendini. Ele disse à ministra que também ficou surpreso com o caso e só conhecia o que havia sido publicado nos jornais.

Porta-vozes do governo informaram que "o Ministério da Defesa está alerta, esperando uma indicação precisa de nomes, número de armas ou qualquer outra informação que nos permita avançar sobre o tema". Garré ordenou um levantamento sobre as armas que o Exército colocou fora de uso, para verificar se algumas delas foram desviadas para o Brasil. Além disso, o Exército determinou a verificação de possível ausência de armas nos quartéis. Mas, entre os militares, há a sensação de que a denúncia "é furada".

As denúncias sobre desaparecimento de armas nos quartéis argentinos são freqüentes desde o início dos anos 90. O maior escândalo ocorreu em 1995, quando foi denunciado que o Exército enviava, de forma ilegal, armas para a Croácia e o Equador. O escândalo envolveu o ex-presidente Carlos Menem (1989-99).