Não é por falta de discursos que o presidente Lula vai morrer na praia em sua pretensão de ser reeleito. Os pronuncia por atacado.

O último pacote começou a ser aberto por uma fala aos empresários, seguiu-se por um discurso para os metalúrgicos e ainda aos empresários da construção civil. Dos empresários ouviu muitas queixas e respondeu com o que considera a conquista por seu governo do crescimento econômico sustentado. Ele cobrou dos empresários coerência e reconhecimento das ações na área econômica, afirmando que o Brasil entrou numa rota de desenvolvimento sustentável, mesmo após ?120 dias subordinado a centenas e centenas de denúncias?.

Um crescimento pífio, se cotejado com as necessidades da nação e se comparado ao obtido pelo resto do mundo e pela maioria dos países. Mas houve crescimento. Milagre! Nenhum, pois enquanto o governo e seus acólitos se envolvem em escândalos e se engalfinham entre si, o empresariado, apesar de atrapalhado pelo poder público, ainda consegue resultados como produzir, exportar e criar empregos. Nem tanto quanto é preciso, mas muito, levando-se em conta o fato de a crise política estar atrapalhado.

Não é o governo que faz o Brasil crescer. Antes, dificulta esse crescimento. O Brasil é a sociedade como um todo e seus núcleos organizados, inclusive as empresas.

Lula jura de pés juntos que não é a sua reeleição que está discutindo, mas queixa-se do denuncismo que o desgasta pessoalmente e amplia-se por todo o seu governo. Por denuncismo quer entender a onda de denúncias não verdadeiras que entremeiam as demais que todos os dias saem dos discursos no Congresso, dos depoimentos na Polícia Federal, nas CPIs e na imprensa.

Negar que há uma pletora de escândalos verdadeiros é querer tapar o sol com a peneira. É bem possível que entre as denúncias fundadas, referentes a fatos verdadeiros, haja aquelas que ou são falsas, ou reais, mas não provadas ainda. Pudera! As hostes situacionistas tudo fazem para impedir o funcionamento das CPIs, obstaculizando com ausências e negativas de quorum e ainda não comparecendo, nas datas aprazadas, para depoimentos.

Mas, mesmo assim, devemos recordar que muitas das denúncias feitas contra o PT, a administração direta e a das estatais, foram objetos de confissões ou devidamente provadas. Verdade que estas são poucas em comparação com a imensidão do mar de lama que inunda Brasília e se espraia por vários estados.

A grande maioria dos fatos denunciados e que derrubam a fama de éticos do governo e de partidos que o apóiam foi apontada por gente do próprio PT e aliados do presidente. Não se há de condenar terceiros pela sujeira que se descobre em casa, feita por gente da família e mal escondida debaixo do tapete.

Na opinião do presidente, reeleição se constrói. Mas não será com discursos alienando gratuitamente responsabilidades que será conseguida a dele ou a de quem quer que, ocupando tão alto posto como o de presidente do Brasil, a ambicione. Discursos não são inúteis, mas, como dizia Abraham Lincoln, é possível enganar muita gente durante muito tempo, mas não todos, todo o tempo…