O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) considerou há pouco que há indícios de lavagem de dinheiro no repasse de R$ 15,5 milhões feito em 2003 pela agência de publicidade SMP&B para a sócia do publicitário Duda Mendonça Zilmar Fernandes da Silveira. Naquele ano, observou Sá, não houve campanha eleitoral.

"Não dá a impressão de que estava sendo feito um repasse de agência para agência?", perguntou à diretora-financeira da agência de publicidade, Simone Vasconcellos, que presta depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios.

Simone disse que todos os recursos para a empresa de Duda Mendonça foram pedidos pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, a pedido do ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT Delúbio Soares.

Ela disse ainda não saber se o policial civil Davi Rodrigues Alves, um dos que constam da lista dos que sacaram recursos das contas da agência, era preposto (representante) de Valério. Alves deve prestar depoimento ainda hoje à CPI. Simone disse também que Valério fez "em confiança" os empréstimos ao partido.

Diante da estranheza do deputado do PTB de São Paulo com a afirmação, uma vez que os empréstimos alcançam dezenas de milhões de reais, a diretora-financeira da SMP&B observou: "Está bom de Marcos Valério voltar aqui, não?"

Respondendo a perguntas do deputado Jamil Murad (PC do B-SP), Simone disse ter tomado conhecimento apenas por meio da imprensa de que o deputado Roberto Brandt (PFL-MG), que foi candidato a prefeito de Belo Horizonte nas últimas eleições, havia recebido contribuição financeira de Valério. A diretora-financeira afirmou também não saber se o empresário colaborou com o governo do presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), em Minas Gerais.