Um tumulto generalizado suspendeu há pouco a sessão conjunta das CPIs dos Correios e do Mensalão. O tumulto ocorreu depois que o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vice-presidente da CPI do Mensalão, disse que, diferente da acusação do deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), ele não pegou carona com o empresário Marcos Valério ao deixar na madrugada de hoje o Congresso.

Pimenta comunicou ao plenário que foi ao carro de Valério, no estacionamento do Senado, para receber uma lista complementar à divulgada ontem pelo próprio Valério nas CPIs do Mensalão, constituída por 79 nomes de pessoas ligadas à campanha de reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de MG em 1998.

"Trata-se de uma lista complementar, com os nomes, mas que não foi distribuída ontem por Valério porque não continha, em anexo, os recibos de depósito", disse Pimenta. A declaração causou revolta aos parlamentares do PSDB. Liderados pela deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP, eles questionaram o fato de os advogados de Valério terem repassado "na surdina" a lista para Pimenta sem apresentá-la formalmente à CPI, apesar de os parlamentares terem feito reiterados pedidos para que Valério encaminhasse para a CPI os documentos".

"O senhor não tem responsabilidade para ter ficado com esta lista", acusou Zulaiê a Pimenta. O presidente da CPI do Mensalão, senador Amir Lando (PMDB-RO), recusou-se a permitir que os deputados indagassem a Pimenta sobre o conteúdo da lista e por que a relação foi repassada a ele. "Não haverá inquirição. O deputado Pimenta vai encaminhar a lista para a CPI e qualquer pessoa poderá ter acesso", disse Lando.

Revoltados, Zulaiê e Redecker levantaram-se dos seus lugares e passaram a questionar a decisão de Lando, o que acabou por motivar a mesma atitude de outros parlamentares do PSDB e também do PFL, resultando na suspensão da sessão. Após mais de 10 minutos de negociação entre os integrantes e os respectivos diretores das comissões, Lando reabriu a sessão para ouvir o publicitário Cristiano Paz, sócio de Valério na Agência SMPB.