Causou mal-estar na base aliada a declaração do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice-líder do governo na Câmara, de que os parlamentares que assinaram a CPI dos Correios não devam ser tratados como aliados. Albuquerque, que viajou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Seul, na Coréia do Sul, disse que o presidente concordou com as argumentações dele de que "vai acabar o pão-de-ló e o cafuné para quem quiser jogar contra o governo".

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), saiu a campo para tentar evitar mais um foco de incêndio. "Esse tipo de declaração não ajuda o nosso trabalho aqui, porque houve reação de deputados da base", afirmou Chinaglia. "Se ainda colocou o nome do presidente nisso, é inoportuno". Desde cedo, o líder tem sido procurado por deputados que criticaram as declarações.

Deputados do PT que assinaram o requerimento da CPI dos Correios também protestaram. "É um absurdo. Ele (Albuquerque) prestou um grande serviço para quem não quer retirar sua assinatura no pedido de CPI", disse o deputado Chico Alencar, ressaltando que retirar assinatura agora pode ser interpretado como barganha política com o Executivo.

"Vamos fazer um protesto formal dirigido ao líder do governo e pedir que ele o encaminhe ao presidente Lula. É inadmissível esse tipo de operação no governo Lula", protestou Alencar, afirmando ainda que a declaração de Beto Albuquerque foi "ofensiva" e " desrespeitosa".