A CPI do Mensalão e dos Correios tomarão daqui há pouco o depoimento do empresário Cristiano Paz, sócio de Marcos Valério Fernandes de Souza, principal suspeito de ser o operador do mensalão. Mas na opinião de parlamentares do PT, que inte gram as comissões, as CPIs vão ter que administrar as vaidades dos parlamentares das duas comissões, se quiserem ter um dia produtivo e objetivo. O alerta foi feito pelo vice-presidente da CPI do Mensalão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e por um dos sub-relatores da CPI dos Correios, deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP). "A sessão conjunta das duas CPIs é uma demonstração clara de boa vontade mútua e de maturidade política. Só esperamos que os corujões, aqueles parlamentares que passam o dia inteiro voando e em alguns momentos pousam na CPI para discursar para seus redutos eleitorais, não apareçam por aqui hoje, porque temos muito trabalho pela frente", disse Pimenta.

Para José Eduardo Cardoso, os objetos de investigação das duas comissões estão "bem delineados" e não há, a seu ver, motivo para disputas entre os integrantes. "A CPI dos Correios investiga a origem dos recursos, analisa as licitações de estatais e os contratos e toda a movimentação financeira coordenada por Marcos Valério, existente de longa data, desde 1998, pelo menos", afirmou Cardoso. "A CPI do Mensalão investiga os recebimentos de recursos indevidos por parlamentares, desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Por isso, as comissões são complementares", acrescentou.

Cardoso disse esperar "sanidade" dos parlamentares durante o depoimento de Paz, mas admitiu não saber se será fácil atingir esse objetivo. "O depoimento de Paz é fundamental para entender a atuação dessa empresa misteriosa, a SMPB Comunicação, e para que se esclareça a verdade, que possamos entender como funciona o sistema de arrecadação de fundos para partidos, criado por Marcos Valério", afirmou Cardoso.