Foto por: Marina Passos

Para os membros da comunidade de Bror Hayil, judeus brasileiros que moram num kibbutz israelense, o Mundial da África do Sul significava um alento ante a dura realidade do Oriente Médio.

Mas o clima de carnaval preparado na coletividade, fundada por imigrantes judeus brasileiros, desvaneceu-se nesta sexta-feira depois da derrota de sua seleção por 2-1 no jogo contra a Holanda.

O Mundial represeentava uma oportunidade para seus moradores de celebrar a herança do país sul-americano, com muito samba, em vez das sirenes frequentes que advertem sobre os lançamentos de foguetes.

“Quando podemos, hasteamos a bandeira do Brasil, somos alegres”, afirmou Natan Glakowicz, de 58 anos, que teve sua filha, Dana, assassinada em 2005 durante um confronto mortal com palestinos.

Glakowicz abriu um restaurante brasileiro no Kibbutz, e afirmou que as alegrias da cultura brasileira ajudam a superar a dor.

Fico feliz com as pessoas que nos visitam, vivendo a experiência de conhecer alguma coisa do Brasil, a música, a comida e a dança”, explicou Glakowicz.

Quando o Brasil joga bem, o futebol nos dá um certo consolo. “O jogo nos permite esquecer um pouco as preocupações cotidianas”, prosseguiu.

“Vivemos de Mundial em Mundial”, disse Avigail Zimmerman, filho dos brasileiros que fundaram Bror Hayil, em 1948.

Atualmente, cem dos 500 membros do kibbutz são do Brasil, e representam a alma da comunidade. Bandeiras brasileiras são vistas por todas partes, nos equipamentos de golfe usados aos tratores que aram os campos próximos.

“Muitos vêm aqui. Sabem que este kibbutz é a parte do Brasil em Israel”, precisou.

Quase todos usavam camisetas amarelas da seleção brasileira.

O clima de carnaval cresceu quando Robinho marcou, mas tudo mudou, dando lugar à consternação com o empate da Holanda e, depois, quando a ‘Laranja mecânica’ se adiantou no placar, seguindo-se o lance com Felipe Melo.

“Foi terrível”, exclamou Rom Levavi, de 42 anos, outro residente do kibbutz natural do Brasil. “Estamos muitos tristes. Agora, a gente torce para que a Argentina ganhe”, acrescentou, referindo-se a seu eterno rival sul-americano.