O combate à violência não exige necessariamente mais violência. Esta, sim, gera o acirramento da violência, os bandidos enfrentando e até atacando as autoridades constituídas, numa guerra que chega a fazer acreditar na falência das instituições. Enganam-se aqueles que consideram que a violência se resume ao Rio de Janeiro, pois ela existe em todo o País. Hoje temos no Brasil poucas e pequenas ilhas de paz.

Além de centralizar as atenções no Rio, o que é um equívoco, temos atribuído a criminalidade quase só ao crime organizado, ao contrabando de armas e ao narcotráfico. É verdade que vamos encontrar aí os principais focos do aumento da violência, mas não é menos verdade que há criminalidade em níveis assustadores até mesmo em estados como o Paraná e cidades como Curitiba, onde os contrastes entre a riqueza e a pobreza, embora existam, não chegam a formar um caldo de cultura tão virulento como em outros estados e outras grandes megalópoles. Não estamos vacinados contra a violência e é preciso atenção nas providências preventivas e no enfrentamento severo da já existente.

O governador Roberto Requião acaba de tomar decisões inteligentes nesse sentido. Anunciou uma ampla operação de desarmamento em todo o Estado. Além da apreensão de armas, determinou a suspensão da autorização de portes de armas, revisão dos já existentes e a centralização das concessões. E ficarão centralizadas no gabinete do secretário de Estado da Segurança Pública, onde serão concedidas só em caráter excepcional. Requião quer acabar com a banalização da violência, que leva a crimes por simples discussões em bares ou desentendimentos no trânsito. Ele não se convence com o argumento de que os cidadãos de bem precisam andar armados para se defender dos bandidos. Está provado que reagir a bandidos só leva à derrota dos homens de bem. O embate é desigual.

Outras providências complementares determinadas pelo governador Roberto Requião criam um seguro para os policiais que serão encarregados dessa difícil missão de desarmar e um prêmio em dinheiro de R$ 100,00 por arma apreendida. É evidente que tais estímulos devem ser antecedidos de uma limpeza no sistema policial, acabando com a sua chamada banda podre, o que, aliás, o governador já vem fazendo. Para apressar a operação de desarmamento, o chefe do Executivo busca ainda um diálogo direto entre o governo, o Ministério Público, polícias e o Poder Judiciário. “Precisamos de rapidez no deferimento dos pedidos de busca e apreensão de armas para que sejam executados no menor tempo possível”, afirma o governador.

É preciso agora que haja compreensão e apoio da sociedade, evitando-se que alguns cidadãos invoquem seu bom conceito para assegurar-se do duvidoso direito de possuir armas ou andar armados. Mais ainda: necessário se faz que o exemplo do governo do Paraná seja imitado pelos demais estados e chame a atenção do governo federal, que nesse mister de desarmar a população tem a maior e principal missão.

O combate ao contrabando de armas que alimenta o crime organizado cabe ao governo da União e a luta contra a criminalidade se faz com um conjunto de ações em que o desarmamento e o fechamento de nossas fronteiras ao ingresso de novas armas podem garantir o decréscimo da criminalidade.