É compreensível o drama vivido pelo presidente em termos do desenvolvimento econômico estagnado no mandato prestes a se extinguir, ademais da frustração de apresentar-se ao mundo com a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) inferior a 3% em 2006. Assim, o banco Golden Sacks estará credenciado a mandar para o arquivo a sigla Brics, que inventou para retratar a enorme expectativa ante os níveis de expansão econômica estimados para Brasil, Rússia, Índia e China. Infelizmente, os retumbantes níveis dos demais países não foram replicados aqui.

O visível desconforto de Lula e o ímpeto demonstrado no lançamento de um megaprograma de investimentos na infra-estrutura no início do próximo ano dimensionam o tempo perdido em varrer o lixo para debaixo do tapete, vale dizer, administrando cabeludas questões intestinas do governo e da base parlamentar.

Enquanto isso, a sociedade viu o tempo passar e não conseguiu identificar a presença do governo em setores essenciais para o soerguimento da economia, tendo em vista a ausência quase absoluta, em todo o território nacional, de obras construídas com recursos do erário.

Por incrível que pareça, há analistas sustentando a estranha tese de que o ?espetáculo do crescimento?, caso tivesse mesmo acontecido, acarretaria conseqüências ainda piores que as atuais. Falando de maneira mais objetiva, garantem que o desastre seria inevitável no setor energético.

Em setembro e outubro o governo foi obrigado a ligar em caráter emergencial 11 termelétricas para compensar a queda dos reservatórios da região Sul. Seis delas não tiveram como operar por falta de gás natural em quantidade suficiente. Caso o ritmo de crescimento da economia estivesse aquecido, simplesmente não haveria energia elétrica para atender a demanda dos grandes consumidores. Uma situação que chegaria perto do desespero porque faltam exatos 2,25 mil km de novas linhas de transmissão para distribuir eletricidade em vários estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde são crescentes os índices de consumo.

O governo ainda precisa vencer a barreira do licenciamento ambiental de 26 das 45 usinas hidrelétricas projetadas desde 1997. Por isso, a correria do presidente Lula.