A luta pela descriminalização do aborto é uma das bandeiras da marcha que marcará amanhã (8), nas ruas da capital paulista, o Dia Internacional da Mulher. Convocada por mais de 80 organizações sociais, a mobilização dará destaque ao tema polêmico e vai reivindicar o aborto gratuito na rede pública de saúde.

A expectativa dos organizadores é de que 10 mil pessoas participem da mobilização, que sairá da Avenida Paulista em direção à Praça Ramos de Azevedo.

De acordo com dados da Fundação Perseu Abramo, cerca de 1,2 milhão de abortos são realizados por ano na clandestinidade, causando 9% das mortes maternas e 25% dos casos de esterilidade.

"O fato de o aborto ser crime não impede que as mulheres, quando precisem (diante de uma gravidez indesejada) o façam. O que acontece é que elas (principalmente as mais pobres)realizam a cirurgia em péssimas condições, acarretando problemas para sua saúde", diz Nalu Faria, da coordenação nacional da Marcha Mundial de Mulheres.

Para a entidade, o aborto deve ser reconhecido como um direito da mulher, pois cabe a elas decidir se querem ou não ser mães. "Em um caso de aborto, o que a mulher menos precisa é ser considerada criminosa. O que ela mais necessita é de apoio, pois essa não é uma situação fácil na vida da mulher", ressalta.

Atualmente, pelo Código Penal brasileiro, o aborto só não é considerado crime em casos de gravidez resultante de estupro ou quando a mãe corre risco de morrer.