Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$ 52,3 bilhões em 2006, com crescimento de 11% ante 2005, anunciou nesta segunda-feira (8) o presidente da instituição, Demian Fiocca. As aprovações foram de R$ 74,3 bilhões, com aumento de 36% na comparação com 2005.

Fiocca disse que tanto os desembolsos quanto as aprovações são recorde na história do banco, e que a expansão real no total de desembolsos (7%, subtraída a inflação), acima do avanço previsto para o Produto Interno Bruto (PIB), mostra uma aceleração na taxa de investimento do País nos próximos anos.

O crescimento das aprovações do BNDES em 2006, acima do total de recursos liberados no ano sinaliza expansão dos desembolsos nos próximos anos, segundo avalia o presidente da instituição. "O aumento maior das aprovações indica disposição do setor produtivo em elevar o nível de investimento", disse.

Ele argumenta que é nos grandes investimentos que as aprovações antecedem com maior prazo os desembolsos, já que são projetos de longo prazo. "A aceleração da aprovação para níveis acima dos desembolsos é coerente com grandes projetos", acredita Fiocca.

As maiores aprovações do BNDES em 2006, segundo listou Fiocca, foram para: Suzano Bahia Sul (R$ 2,4 bilhões); Telemar (R$ 2,4 bilhões); Brasil Telecom (R$ 2,1 bilhões); Klabin (R$ 1,7 bilhão); Projeto Gasene (R$ 1,36 bilhão); ALL (R$ 1,1 bilhão); Transnordestina (R$ 900 milhões); Usiminas (R$ 900 milhões); Refap (R$ 852 milhões) e CST (R$ 719,4 milhões).

Setores

Entre os setores financiados pelo BNDES, o maior aumento de desembolsos em 2006, na comparação com o ano anterior, ocorreu em comércio e serviços (56%, para R$ 3,7 bilhões), mas o maior volume de desembolsos ficou com a indústria, com um total de R$ 27,2 bilhões e aumento de 16% ante 2005.

Fiocca disse que os destaques de financiamentos no setor industrial foram os insumos básicos (metalurgia, siderurgia, papel e celulose, petroquímica). Por outro lado, houve forte queda (-16%) nos desembolsos para o setor de agropecuária (R$ 3 4 bilhões em 2006), acompanhando a crise agrícola. O setor de infra-estrutura também registrou queda (-1%) no volume de desembolsos ante o ano anterior, somando R$ 17 bilhões em 2006.

Segundo o presidente do BNDES, no caso da infra-estrutura, as aprovações são mais significativas do que os desembolsos para avaliação da tendência de investimentos, já que como os projetos são de longo prazo, muitas vezes o crédito é desembolsado lentamente, de acordo com a evolução das obras.

As aprovações para infra-estrutura aumentaram 29% em 2006 ante 2005 e totalizaram R$ 23,9 bilhões. "O que se espera é que o aumento das aprovações em 2006 leve a crescimento no desembolso para infra-estrutura nos próximos anos", disse Fiocca.