O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, disse hoje (17) que a queda dos desembolsos no primeiro bimestre deste ano (32% sobre igual período de 2005) reflete a desaceleração da economia e, conseqüentemente, dos pedidos dos empresários por financiamento no segundo semestre de 2005. Segundo ele, o desembolso é resultado de projetos aprovados cerca de seis meses atrás. "Dessa forma, o volume do começo deste ano mostra o nível de atividade econômica de 2005", explicou.

Para este ano, as expectativas são positivas. Mantega afirmou que o aumento de 42% no valor das cartas-consulta enviadas ao BNDES nos dois primeiros meses de 2006 demonstra o otimismo dos empresários para o ano. Ele destacou que essa percepção positiva está em sintonia com o cenário econômico, que é de retomada. O presidente lembrou que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou crescimento de 7,5% na produção industrial em janeiro deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2005.

De acordo com Mantega, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer de 4% a 5% em 2006 e a produção da indústria deve evoluir entre 5% e 6%. Ele lembrou que, no primeiro semestre de 2005, os empresários acreditavam em um crescimento de 4% a 4,5% para o PIB naquele ano, o que não ocorreu – o aumento foi de 2 3%. "Eles então colocaram o pé freio e reduziram os pedidos de financiamento no segundo semestre."

Projeção

Segundo Mantega, os desembolsos devem totalizar entre R$ 53 bilhões a R$ 55 bilhões neste ano, abaixo do orçamento de R$ 60 bilhões para o período. "Essa é uma projeção mais realista para 2006 do que o orçamento, que foi enviado ao governo em agosto de 2005." As liberações do ano passado somaram R$ 47 bilhões.

O executivo destacou que as grandes companhias têm hoje outras fontes de financiamento, como emissões no mercado de capitais, o que reduz a busca por empréstimos bancários. Ele acredita, porém, que a economia está em tendência de crescimento e esse movimento deve estimular as empresas a realizar investimentos, o que se refletiria também no aumento na demanda por recursos do BNDES.

Para Mantega, o atual momento econômico é "bastante favorável", pois há aquecimento tanto no mercado externo quanto interno. "Em 2004 e no ano passado, o ambiente externo puxou a economia. Agora, o interno também está se consolidando", afirmou ressaltando o aumento da massa salarial e a queda dos juros.