A taxa de desemprego na média das seis principais regiões metropolitanas do País permaneceu inalterada em 9,4% em agosto, porcentual apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) há três meses consecutivos.

A estabilidade na ocupação foi compensada pela recuperação do rendimento real dos trabalhadores, que cresceu 3,7% ante agosto de 2004, na maior variação da nova série histórica da pesquisa, iniciada em março de 2002. O melhor desempenho do mercado de trabalho ocorreu em São Paulo.

Para Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa mensal de emprego do IBGE, o quadro do mercado de trabalho em agosto "não mostra retrocesso, mas um compasso de espera". Ele explicou que um dos fatores que justificam a estabilidade pode ser o "momento de incerteza", que que leva a ocupação a não reagir, como ocorria no início do ano, "mas não há um quadro de estagnação ou frustração".

Ele sublinhou que em agosto o mercado foi bem melhor do que no mesmo mês do ano passado, quando a taxa de desemprego chegou a 11,4%. Além disso, a média da taxa de desemprego nos oito primeiros meses de 2005 chegou a 10,1%, dois pontos porcentuais inferior à média de janeiro a agosto de 2004 (12 0%). "O resultado está dentro do padrão, do esperado", disse.

Marcelo de Ávila, do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea), disse que a estabilidade da taxa não é um dado negativo porque o nível é o mais baixo da nova série do IBGE e, além disso, a tendência é de queda da taxa nos próximos meses. Para ele, o mercado de trabalho estava nitidamente em compasso de espera em junho e julho, mas já começou a mostrar um movimento mais favorável em agosto.

O número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) permaneceu elevado em agosto, totalizando 2,06 milhões de pessoas nas seis regiões. Apesar da multidão de desempregados o volume é 17,1% menor do que em agosto do ano passado, quando a população desocupada somava 2,5 milhões.

A criação de vagas, mesmo incapaz de absorver o contigente de desempregados, foi suficiente para empregar 469 mil pessoas entre agosto do ano passado e igual mês deste ano, elevando a população ocupada para 19,9 milhões.

Renda

O aumento real no rendimento médio em agosto foi resultado do reajuste do salário mínimo – que ocorreu em maio, mas ainda teve efeitos no indicador de agosto – e da queda da inflação (a renda é deflacionada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) médio das seis regiões), segundo explicou Azeredo.

Além do crescimento recorde ante igual mês do ano passado, o rendimento aumentou pelo terceiro mês consecutivo ante o mês anterior, com acréscimo de 0,7% em agosto ante julho. Apesar da reação, o rendimento médio de R$ 973,20 em agosto ainda é inferior ao patamar de fevereiro de 2003 (R$ 986,47).

Para Guilherme Maia, da Tendências Consultoria, no restante do ano a perspectiva é de continuidade do aumento da renda, "dado o cenário benigno de inflação e os indícios de aumento de produtividade na economia". As contas da Tendências mostram um aumento acumulado de 1,6% no rendimento de janeiro a julho deste ano, ante igual período do ano passado.

Outro dado positivo da pesquisa é que o mercado formal continua reagindo. Ainda que o número de empregados com carteira tenha apresentado variação zero ante julho, prossegue a recuperação da formalidade na comparação com o ano passado. Em agosto, ante agosto de 2004, o número de trabalhadores com carteira cresceu (6,2%) pelo 18.º mês consecutivo.