A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), oferece um novo dado para o acirrado debate socioeconômico, além da conhecida concentração de renda: o consumo é também um privilégio de poucos.

Os números revelados agora se referem ao período 2002/03, quando os 10% mais ricos da população desfrutavam um nível de consumo mensal dez vezes maior que os 40% mais pobres.

Enquanto as famílias mais ricas tinham um gasto per capita de R$ 1,8 mil, as mais pobres gastavam apenas R$ 180, caracterizando a forte desigualdade no dispêndio dos grupos familiares de diferentes estratos sociais. Uma tendência ainda não revertida pelo governo.

A pesquisa mostra que o Nordeste apresenta as maiores deficiências em termos de bem-estar social. Dos dez estados onde as condições são as mais deprimentes, sete pertencem à região, sendo Alagoas o estado mais desigual do País. O nível de consumo per capita dos 40% mais pobres é mais de 15 vezes inferior ao consumo dos 10% mais ricos.

Uma curiosidade levantada pela Pesquisa de Orçamento Familiar revela que Roraima e Amapá exibem menor desigualdade, tendo em vista o grande percentual de servidores públicos sobre o total da população.

Não se sabe se há influência da Carta de Puebla, mas o estado assume a função humanitária do empregador, e os barnabés garantem o leite das crianças…