O Tribunal Regional de Brasília (TRF) suspendeu as obras do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, tocadas nessa fase sob responsabilidade do Exército. A decisão da Justiça atendeu à solicitação encaminhada pelo Ministério Público Federal, com base na suposta detecção de ilegalidades na obra.

A decisão, em caráter liminar, foi recebida com satisfação pelo bispo Luiz Cláudio Cappio, da Diocese de Barra (BA), há 16 dias em greve de fome em protesto pela transposição das águas, que mesmo assim não pretende interromper o jejum até que os militares abandonem os locais de trabalho.

Em 2005, o bispo já passara onze dias sem ingerir alimentos com a mesma motivação, até que o presidente Lula anunciou o adiamento das obras, prometendo suprir as inúmeras falhas apontadas no projeto.

O Ministério Público Federal noticiou ao TRF que o projeto do São Francisco não poderia ter sido aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, porque não se conhece efetivamente o aporte hídrico das obras, estudo ainda em fase de conclusão.

Outros desvios do projeto, segundo o Ministério Público Federal, são a violação de dispositivos do Plano de Recursos Hídricos, à vista do pretendido ?uso econômico das águas? e, ainda, a agressão aos princípios da ?gestão descentralizada da água?, além da desconsideração à participação popular.

Ao que parece, a devoção de dom Luiz pode não remover montanhas, mas paralisa a transposição das águas.