Recife (AE) – Numa cova simples foi enterrado hoje, às 17h45, o corpo do político Miguel Arraes, de 88 anos, no Cemitério de Santo Amaro, no Recife. Uma placa com a frase "O homem marcado pelas duas mãos e o sentimento do mundo" ,baseado em um poema de Carlos Drummond, marca o local. A frase foi citada por Arraes na sua volta do exílio, em 1979.

Miguel Arraes de Alencar, presidente do Partido Socialista Brasileiro, ex-governador e deputado federal, foi sepultado com honras de chefe de Estado, sob aplausos, choro, tiros de canhão. Cerca de 6 mil pessoas acompanharam o carro dos Bombeiros que levava o caixão com o corpo do político do Palácio do Campo das Princesas, em um trajeto de 1,5 quilômetro, até o cemitério, onde outros 4 mil admiradores do socialista esperavam segundo dados da Polícia Militar.

O povo veio das várias regiões do Estado para reverenciar o "Pai arraia, o Pai dos pobres", como o chamava a população mais simples. Cada um tinha um depoimento de gratidão e de saudade: foi em algum dos seus três governos que conseguiram crédito para uma vaquinha ou eletrificação rural em áreas distantes ou direitos trabalhistas.

Mito

A devoção dos trabalhadores ao político mostram que o mito Arraes deverá sobreviver à sua morte física. "Arraes guerreiro do povo brasileiro" foi a frase mais entoada pela multidão durante todo o cortejo e sepultamento, que contou com a presença dos seus 10 filhos, netos, amigos, políticos e familiares. Todos muito consternados. As bandeiras de Pernambuco e do Brasil, que cobriam o caixão, foram entregues à família.