O Senado cobriu-se de vergonha e está arriscado a perder os derradeiros resquícios de dignidade e honradez, ao embaçar mais uma vez a solução do melodrama produzido pela renitência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de usar recursos estranhos para pagar pensão alimentícia a uma filha fora do casamento.

Ao final de sessão conturbada e prenhe de desaforos verbais entre defensores e acusadores do presidente do Senado, e até a ameaça da troca de safanões entre os mais trêfegos pais da pátria, o Conselho de Ética, que sequer possui regimento interno, decidiu por dez votos a cinco que a votação dos relatórios dos senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), será aberta.

Contudo, o pedido de vistas do senador Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de choque de Renan, postergou a votação para a próxima quarta-feira, 5. Até lá prossegue a novela interminável protagonizada pelo rei do gado do agreste alagoano.

Há quem diga que Renan já perdeu a batalha no Conselho de Ética, que virtualmente aprovará o pedido de cassação de seu mandato. Entrementes, no plenário, onde o presidente conta com um estoque de votos suficiente, na avaliação dos operadores, o mandato poderá ser preservado. Salvo algum argumento irreparável que venha a aparecer nas próximas horas.

O saldo negativo está na imensa perda moral e ética que a Câmara Alta sofrerá com a manutenção de um presidente desestruturado por indícios gritantes de quebra de decoro.