Misturar menos quantidade de álcool anidro à gasolina foi o meio encontrado pelo governo para estancar a corrente altista do preço do respectivo combustível nos postos de abastecimento, os quais sofreram seguidos reajustes nas últimas semanas. Atualmente a mistura é de 25%, devendo cair até o final da semana para 20%.

Em janeiro, o governo conseguiu estabelecer um acordo com os produtores de álcool, pelo qual no atacado o litro do produto custaria R$ 1,05. O acordo não foi cumprido pelos usineiros e, diante do risco de desabastecimento face à hipótese de intervenção mais rigorosa, o governo optou pela diminuição da mistura e fazer sobrar álcool no mercado.

O risco iminente, entretanto, é a alta da gasolina. Para evitar as conseqüências desgastantes, técnicos do governo trabalham para encontrar uma fórmula de equilibrar a questão. Uma alternativa será reduzir o valor da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide), o tributo de R$ 0,29 cobrado do consumidor sobre cada litro de gasolina, na tentativa de impedir a elevação dos preços.

O dilema se agrava porquanto haverá um corte na arrecadação federal, mesmo com duração prevista até o final da entressafra e o reinício da produção de álcool pelas usinas. Todo mês o Brasil adiciona 500 milhões de litros de álcool anidro à gasolina tipo C e com a redução esse volume cairá para 400 milhões de litros, medida calculada para sustar o desabastecimento e preços exorbitantes.

Pelo menos essa é a convicção das autoridades da área. Se estão certas ou não, logo saberemos.