Brasília – Em entrevista realizada no Palácio do Planalto, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticou a CPI dos Correios por divulgar "acusações sem prova" e o Congresso por não ter aprovado o Orçamento da União. A atitude é incomum na ministra, que tem mantido certa distância de assuntos parlamentares.

"Tudo isso cria uma situação ruim para o País", disse a ministra que afirmou "rejeitar de forma enfática" o último relatório parcial da CPI no qual é apontada a existência do mensalão.

"O julgamento político também precisa ter base em provas. Não pode ser só político", declarou. "Até na ditadura se respeitaram práticas de inquérito, práticas de julgamento. Não há justificativa para que a gente não mantenha esse respeito. O julgamento pode ser político, com base nas leis do País hoje estabelecidas."

"O governo vai sistematicamente esclarecer as denúncias infundadas que sobre ele recaírem e colocar todo seu instrumental à disposição da sociedade para facilitar a investigação", afirmou. "Se houver mal feito dentro do governo tem de ser apurado. Nós vamos ter de punir os responsáveis e caracterizar o que foi feito e, em um segundo momento, condenar a pessoa. Mas, antes disso, não posso daí tirar uma ilação que houve uso indiscriminado. Tem de provar caso a caso."

Diante da insistência dos repórteres sobre as evidências de que membros do PT ligados ao governos repassaram dinheiro ilegal para aliados, ela preferiu resumir o que aconteceu a um artifício para quitar dívidas de campanha. "O que há é a confissão de que houve empréstimos e esses empréstimos foram feitos para pagar dívidas de campanha. Isso está profusamente confessado", disse. "Daí a querer acusar o governo de práticas de corrupção vai uma distância imensa. Nós repudiamos essas acusações sem provas."

Dilma Rousseff, depois de afirmar que respeita muito o relator e o presidente da CPI, deputado Osmar Serraglio e o senador Delcídio Amaral, "que procuraram fazer o melhor", reiterou que as acusações têm de ser provadas e que o relatório da CPI dos Correios não conseguiu comprovar a acusação de uso de dinheiro público para pagamento de mensalão e semanadão.

Ao criticar o Congresso por não ter votado o Orçamento, Dilma evitou falar sobre os valores do excesso de arrecadação a serem anunciados na semana que vem, ressalvando que achava que não chegaria aos R$ 2 bilhões falados na imprensa. Depois de a ministra ter elogiado o desempenho dos ministros na execução orçamentária, ela disse que prefere não fazer maiores comentários sobre o atraso da votação do orçamento.

"Prefiro não qualificar o atraso como boa vontade ou má vontade" disse ela, acentuando que a relação com o Congresso tem de ser objetiva. "Mas lamento que a votação tenha sido passado para janeiro", desabafou a ministra, alegando que isso "diminui a eficácia da ação porque 2006 é um ano que tem uma limitação pelo processo eleitoral até junho e, sendo ano eleitoral ou não, o governo tem de trabalhar e prover todos os serviços fundamentais é importantíssimo que o orçamento seja aprovado".