Brasília (AE) – Dinheiro vindo de Cuba teria financiado a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo revela a revista "Veja" . De acordo com a revista, US$ 3 milhões – cerca de R$ 6,78 milhões – teriam alimentado o caixa 2 do partido entre agosto e setembro de 2002. A reportagem conta que os responsáveis pelo transporte do dinheiro, que teria chegado ao comitê de Lula em três caixas de bebida, são ex-assessores do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, quando ele ocupou a prefeitura de Ribeirão Preto. O economista Vladimir Poleto e o advogado Rogério Buratti confirmam, na revista, a contribuição cubana na campanha eleitoral vitoriosa de Lula, mas divergem sobre os valores.

Poleto conta, segundo a reportagem, que pegou os dólares em duas caixas de uísque e uma de rum cubano, em Brasília na casa de um cubano negro e alto e os entregou em Campinas para Ralf Barquete, ex-assessor de Palocci que morreu vítima de câncer em junho de 2004. O cubano alto e negro é identificado pela "Veja" como Sérgio Cervantes, que servia como diplomata da Embaixada de Cuba e tem ligações antigas com petistas e com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que morou em Cuba no exílio.

Vila Mariana – Poleto afirma, na reportagem, que só depois de viajar a Brasília para buscar as caixas, que estavam lacradas, e de entregá-las é que soube, por Barquete, que se tratava de US$ 1,4 milhão. O transporte dos dólares teria sido feito em um avião bimotor Seneca do empresário Roberto Colnaghi, o mesmo dono do jato Citation que ficava à disposição de Palocci durante a campanha de Lula. A revista detalha o caminho das três caixas, que foram apanhadas no Aeroporto de Viracopos por Barquete, transportadas em um automóvel Ômega preto blindado e deixadas no comitê de Lula na Vila Mariana, aos cuidados do então tesoureiro, Delúbio Soares. O carro usado para levar o dinheiro, segundo o texto, era alugado pelo comitê eleitoral do PT na locadora de Roberto Carlos Kurzweil, empresário de Ribeirão Preto. O motorista era Éder Eustáquio Soares Macedo, que hoje trabalha na representação do Ministério da Fazenda no Rio.

Outro ex-assessor de Palocci, o advogado Rogério Buratti fala em US$ 3 milhões. Ele conta na reportagem que foi consultado por Ralf Barquete, a pedido de Palocci, sobre como fazer para trazer os dólares de Cuba para o País durante encontro em um clube de Ribeirão. Buratti teria sugerido, como maneira mais fácil, internar o dinheiro cubano por meio de doleiros. Contou ainda que depois disso não teve mais contato com o assunto. Soube, porém, que os recursos haviam chegado ao País. "Sei que o dinheiro veio, mas não sei como", disse Buratti à "Veja".

A reportagem cita ainda que a viúva de Barquete, Sueli Ribas Santos, teria declarado ao empresário de Ribeirão Chaim Zaher, há cerca de três meses, que houve dinheiro de Cuba na campanha. Palocci afirma à revista nunca ter ouvido a história. A Embaixada de Cuba não quis falar ao Estado sobre o assunto.