O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), integrante da CPI dos Correios, afirmou que há provas de que o ex-ministro, José Dirceu, está no epicentro da crise. Ele disse que o documento em poder da CPI, que autoriza Roberto Marques, assessor de Dirceu, a retirar dinheiro das contas do empresário Marcos Valério Fernandes, é mais uma prova que se junta a outras como as declarações da mulher do empresário, Renilda Santiago, e de Simone Vasconcelos, gerente de uma das empresas de Valério.

"Esta semana leva para valer o escândalo ao quarto andar do Palácio do Planalto", disse Dias, referindo-se ao andar onde fica a Casa Civil da Presidência da República. Marques, porém, nega que tenha feito o saque de R$ 50 mil. "Não é apenas com base nesse documento que vamos incriminar (Dirceu). Há outros indícios mais fortes que o obrigam a dar mais explicações e a concluir por seu indiciamento", acrescentou o senador. Dias afirmou ser contrário à idéia de a CPI dos Correios deixar de investigar o esquema do mensalão, e transferir essas apurações para outra CPI.

"Estamos buscando a origem do dinheiro. Não há como falar só dos correios. A CPI se tornou abrangente", afirmou Dias. Para o senador não seria necessária a criação da CPI do Mensalão. Ele admitiu, no entanto, que a CPI dos Correios pode contribuir com a outra CPI, encaminhando documentos que já tenham sido analisados. Para Dias, a CPI dos Correios já deveria encaminhar à Mesa da Câmara indícios de quebra de decoro de alguns parlamentares para a abertura de processos de cassação de mandatos.