A redução das taxas de juros, apesar da demanda enfraquecida e o consumo negativo no país, vai depender do desempenho da inflação, reiterou hoje o diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn. Ele explicou, em palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF/RJ), que a questão da demanda tem impacto sobre a recomposição de margens, porque “com o aumento de custos registrado no ano passado existem vários produtos que, se a gente não tomar cuidado, vão acabar aumentando preços, o que vai reduzir o salário real das pessoas. Para que isso não ocorra, em algum momento temos que ter vendas, que não são tão elevadas como o desejado no longo prazo. Essa é, porém, uma questão momentânea”, disse.

Segundo Goldfajn, à medida em que a inflação for caindo, a demanda vai conseguir recuperar e ter um crescimento sustentado no longo prazo. Lembrou que não adianta fazer crescimento que não vai se sustentar, para satisfazer ansiedades, “porque tivemos experiências no passado de coisas que começam bem e depois param”.

O diretor do BC disse que as metas oficiais de inflação não foram alteradas pelo Banco, seguindo orientação do governo, que decidiu alongar o prazo para ajuste. As duas projeções que constam do último relatório do BC fixam como parâmetros taxas de inflação para 2003 de 10,8% e de 9,5%, dependendo do cenário mais pessimista ou otimista. Segundo Goldfajn, as projeções permanecem as mesmas.