Os 21 deputados petistas contrários à Medida Provisória que fixa o salário mínimo em R$ 260 estão divididos quanto à postura que vão adotar hoje durante a votação no plenário da Câmara. Parte dos dissidentes vai votar a favor do relatório do deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), que eleva o mínimo para R$ 275, e os demais vão se abster da votação ou votar contra a proposta.

A idéia dos ?dissidentes? era apresentar em separado um destaque que elevaria o valor do mínimo para R$ 280. Mas o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), alertou os parlamentares a medida contraria o regimento interno da Câmara, já que eles não representam a totalidade da bancada do PT e por isso não podem apresentar destaques. Como vários parlamentares petistas temem o desgaste de apoiar uma proposta do PFL, a maioria dos dissidentes admitiu preferir a abstenção. ?Quem quer votar diferente dos R$ 260 vai votar a favor dos R$ 275?, resumiu o petista Ivan Valente (SP).

A votação do relatório do deputado Rodrigo Maia será nominal, o que fez muitos parlamentares do PT recuarem da decisão de aprovar os R$ 275. O relatório do pefelista será o primeiro a entrar na pauta de votação da Câmara. A MP que fixa o mínimo em R$ 260 só será votada caso o relatório do PFL, elaborado pela Comissão Mista que discutiu o salário mínimo, seja rejeitado pela maioria simples dos votos (129). Os parlamentares também querem votar nominalmente, além do relatório de Rodrigo Maia, o destaque que torna o mínimo de R$ 260 retroativo ao mês de abril deste ano ? com a reposição das perdas aos trabalhadores que passaram a receber o novo valor apenas em 1º de maio.

O plenário da Câmara dos Deputados registra o quorum necessário para colocar em votação a Medida Provisória que fixa o salário mínimo em R$ 260. Até o momento, 434 deputados já registraram presença. O governo precisa de maioria simples (metade mais um) para aprovar a MP.