Doadores internacionais reunidos em Estocolmo prometeram nesta quinta-feira (31) US$ 940 milhões para ajudar a reconstruir o Líbano e exigiram que Israel suspenda o bloqueio imposto ao país árabe. A quantia prometida representa quase o dobro da meta original de US$ 500 milhões em arrecadação. O Brasil está entre os contribuintes. Com as novas promessas de doação, sobe para US$ 1,2 bilhão o montante oferecido para a reconstrução do Líbano, alvo de intensos bombardeios israelenses entre 12 de julho e 14 de agosto.

"A conferência superou sua meta por ampla margem", anunciou Jan Eliasson, ministro das Relações Exteriores da Suécia e anfitrião do encontro. O primeiro-ministro do Líbano, Fuad Saniora, agradeceu aos cerca de 60 governos e entidades assistenciais reunidos para ajudar o Líbano. "Trata-se de um feito muito importante", comentou Saniora em conversa com jornalistas depois da conferência. Ele destacou que os doadores não impuseram nenhuma condição em troca da ajuda oferecida.

Os principais doadores são os Estados Unidos, com US$ 175 milhões, e a União Européia (UE), com o equivalente em euros a US$ 54 milhões. A quantia oferecida por Washington faz parte de um pacote de US$ 230 milhões em ajuda ao Líbano prometido na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disseram organizadores. O Brasil vai doar R$ 1 milhão para ajudar na reconstrução do Líbano e auxiliar os palestinos atingidos pelo conflito com Israel. A informação foi dada pelo embaixador do Itamaraty, Pedro Motta Pinto Coelho, subsecretário-geral político para a África, Ásia, Oceania e Oriente Médio.

De acordo com Pedro Motta, será realizada uma doação de US$ 500 mil para o Líbano por intermédio das Nações Unidas. Na sexta-feira, mais US$ 500 mil em auxílio financeiro serão doados aos palestinos. Mais cedo, na abertura do evento, Saniora pediu aos doadores que ajudassem seu país a se recuperar dos devastadores ataques aéreos promovidos por Israel. Segundo ele, em apenas um mês, os bombardeios israelenses arrasaram "15 anos de progresso no pós-guerra".

Saniora rejeitou energicamente especulações segundo as quais o dinheiro da ajuda acabaria chegando ao grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah, fortalecendo sua presença no sul do Líbano. "Essa idéia, a de que de um jeito ou de outro o dinheiro acabará nas mãos do Hezbollah, não passa de falácia. Isso não é verdade", assegurou o primeiro-ministro durante entrevista coletiva concedida em Estocolmo.

O Hezbollah já está distribuindo centenas de milhões de dólares em ajuda aos libaneses, a maior parte aparentemente doada pelo Irã, seu principal financiador. Segundo Saniora, os prejuízos diretos causados pelo conflito estão na casa dos "bilhões de dólares". O prejuízo indireto, com o afastamento dos turistas e a paralisação da economia, "soma mais alguns bilhões", prosseguiu. "Além disso, as conhecidas conquistas do Líbano em 15 anos de progresso no pós-guerra foram devastadas em uma questão de dias pela máquina mortífera militar de Israel", denunciou.

Ele destacou que os esforços de reconstrução serão seriamente prejudicados se Israel não suspender o bloqueio do Líbano. Ao término da conferência, os doadores divulgaram uma mensagem conjunta na qual pediram a Israel o fim do bloqueio. Além de ter destruído as estradas libanesas, Israel bombardeou as pistas do único aeroporto internacional do país e controla o espaço aéreo e as águas territoriais do país vizinho. Israel alega que suspenderá o bloqueio somente quando a resolução do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) que determinou o cessar-fogo estiver "plenamente em vigor".